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Carazinho desenha mapa eleitoral de forte inclinação à direita e espalha votos entre dezenas de candidatos

Carazinho, Eleições 2026

05 de outubro de 2026

Carazinho desenha mapa eleitoral de forte inclinação à direita e espalha votos entre dezenas de candidatos

Os resultados de 2026 mostram domínio de Flávio Bolsonaro e Zucco nas disputas majoritárias, enquanto votação proporcional revela perda de espaço para candidaturas locais e forte capilarização de votos.

A eleição de 2026 deixou um retrato político bastante definido do eleitorado de Carazinho, mas, ao mesmo tempo, abriu uma série de perguntas sobre o comportamento dos eleitores nas disputas proporcionais. Se nas eleições para presidente, governador e Senado houve concentração em poucos nomes, para deputado federal e estadual o voto se pulverizou entre dezenas de candidaturas.

Na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro alcançou 62,30% dos votos válidos em Carazinho, contra 30,49% de Lula. Os votos brancos representaram 1,78% e os nulos, 1,61%. O comparecimento ficou em torno de 79,55% do eleitorado.

O resultado confirma uma característica que já vinha aparecendo nas eleições anteriores: Carazinho apresentou uma votação majoritária fortemente inclinada à direita. No Estado, entretanto, a disputa presidencial teve comportamento diferente do observado no município, mostrando que o eleitorado local manteve uma preferência bastante particular dentro do cenário gaúcho.

Zucco chega a quase 64% em Carazinho

Na eleição para o governo do Rio Grande do Sul, a vantagem foi ainda mais expressiva.

Luciano Zucco (PL) recebeu 63,98% dos votos válidos em Carazinho, enquanto Juliana Brizola (PDT) ficou com 29,97%. O resultado tem um componente simbólico: na cidade associada historicamente ao trabalhismo de Leonel Brizola, sua neta acabou derrotada por ampla margem.

Zucco foi eleito governador ainda no primeiro turno no Rio Grande do Sul, com 58,05% dos votos válidos em todo o Estado. Em Carazinho, portanto, sua votação superou em quase seis pontos percentuais o desempenho estadual, evidenciando a força que a candidatura alcançou no município.

Senado teve disputa apertada entre Sanderson e Marcel

Se a eleição para governador apresentou ampla vantagem, a disputa pelas duas cadeiras do Senado foi muito mais equilibrada.

Sanderson (PL) ficou com 33,13% dos votos em Carazinho, enquanto Marcel Van Hattem (NOVO) alcançou 32,98%. A diferença entre os dois foi de apenas 0,15 ponto percentual. Em números absolutos, Sanderson recebeu 20.827 votos e Marcel Van Hattem, 20.729. Os dois foram eleitos para o Senado pelo Rio Grande do Sul. No Estado, Sanderson terminou com 30,11% e Van Hattem com 30,08%, reproduzindo praticamente o mesmo equilíbrio observado em Carazinho. O resultado ajuda a dimensionar a força das duas candidaturas no município: juntas, elas ultrapassaram 40 mil votos na disputa para o Senado, embora cada eleitor pudesse escolher dois candidatos.

A eleição proporcional revela outro Carazinho

Na disputa por deputado federal que aparece uma das características mais interessantes da eleição de 2026.

O eleitorado carazinhense não concentrou seus votos em um único representante local. Pelo contrário: candidatos de diferentes regiões do Estado conquistaram parcelas significativas do eleitorado. Entre os cinco candidatos mais votados para deputado federal no município, três são de fora de Carazinho: Giovani Cherini (PL), Maurício Marcon (PL) e Rony Gabriel (Podemos). Cherini recebeu 3.421 votos no município, Marcon 2.291 e Rony Gabriel 2.198.

A presença de candidaturas externas não parou nesses três nomes. Outros candidatos de diferentes municípios também conseguiram ultrapassar a marca de 500 votos em Carazinho, entre eles Luciano Azevedo (PSD), que obteve 879 votos. Isso chama a atenção porque mostra uma votação extremamente pulverizada. Em vez de concentrar os votos em representantes com forte identificação territorial, uma parcela significativa dos eleitores carazinhenses distribuiu suas escolhas entre dezenas de nomes. O dado mais importante é que a lógica do voto proporcional mudou, não houve um nome capaz de concentrar a preferência de uma parcela dominante do eleitorado local.

Carazinho e a falta de um representante eleito

A consequência prática dessa dispersão é que Carazinho terminou a eleição sem eleger diretamente um deputado federal ou estadual com origem política no município para representar a cidade em Brasília ou na Assembleia Legislativa.

No plano federal, os candidatos que receberam votos expressivos em Carazinho e foram eleitos para a Câmara dos Deputados incluem Maurício Marcon, Giovani Cherini e Rony Gabriel. Os três aparecem na lista oficial dos 31 deputados federais eleitos pelo Rio Grande do Sul.

Passada a eleição, começa agora uma etapa diferente: a cobrança. Carazinho deu milhares de votos a candidatos que, em muitos casos, não nasceram no município e não possuem sua principal base eleitoral na cidade. Entre os federais eleitos, estão Maurício Marcon, Giovani Cherini e Rony Gabriel.

Na Assembleia, nomes como Adri Cherini e Professor Cláudio Branchieri, entre outros eleitos, também receberam votos dos carazinhenses. No Senado, Sanderson e Marcel Van Hattem tiveram votação expressiva na cidade. E, no governo estadual, Luciano Zucco recebeu quase dois terços dos votos válidos do município. O panorama de 2026 mostra um eleitorado que, nas disputas majoritárias, apresentou escolhas bastante concentradas. Já nas eleições proporcionais, fez exatamente o contrário: distribuiu seus votos entre muitos nomes, partidos e regiões.

Essa talvez seja uma das principais marcas da eleição deste ano em Carazinho.