Golpe com voz clonada por inteligência artificial mira compradores de veículos em negociações via Pix
03 de outubro de 2026
Criminosos estão recorrendo à inteligência artificial para aplicar golpes durante negociações de veículos em Mato Grosso do Sul. A estratégia utiliza áudios com vozes reproduzidas artificialmente para fazer com que as vítimas acreditem estar conversando com familiares ou pessoas conhecidas.
Um dos casos recentes terminou com um prejuízo de cerca de R$ 28 mil para o empresário Márcio Antônio Fernandes da Silva, proprietário de uma oficina em Campo Grande. Ele procurava um veículo e encontrou um anúncio com preço dentro do padrão de mercado.
O suposto vendedor informou que o automóvel estava em Ponta Porã. Como Márcio nasceu na cidade e ainda possui familiares na região, decidiu pedir ao irmão que verificasse pessoalmente as condições do carro.
Foi nesse momento que os criminosos passaram a utilizar a identidade do familiar. Segundo o empresário, os golpistas entraram em contato utilizando uma voz semelhante à do irmão e afirmaram que o veículo havia sido vistoriado. Também foram enviados vídeos para reforçar a impressão de que a negociação era verdadeira.
Convencido de que estava tratando diretamente com o familiar, Márcio realizou uma transferência de aproximadamente R$ 28 mil via Pix. Pouco depois do pagamento, os contatos foram bloqueados e ele percebeu que havia caído em uma fraude.
O empresário relatou que já conhecia outros tipos de golpes, mas a utilização de informações familiares e da voz clonada acabou aumentando a sensação de segurança durante a negociação.
A mesma técnica quase provocou prejuízo em outro caso envolvendo a estudante de medicina Isabela Cardoso. A mãe dela, que mora em Dourados, havia demonstrado interesse na compra de um Hyundai HB20 que estava em Campo Grande.
Antes de fechar o negócio, Isabela havia combinado que o veículo seria levado a uma oficina conhecida da família para uma avaliação. O objetivo era verificar as condições do automóvel antes do pagamento.
Antes do horário marcado, porém, a mãe recebeu mensagens, um áudio e um vídeo de alguém que se apresentava como Isabela. Na gravação, a voz reproduzida artificialmente dizia que a estudante já estava na oficina, havia acompanhado a avaliação do carro e que o profissional responsável também teria aprovado o veículo.
A falsa Isabela chegou a autorizar o pagamento por Pix. Para tornar a fraude mais convincente, os criminosos também tinham informações verdadeiras sobre a oficina e sobre o mecânico que atendia a família.
Desta vez, a transferência não foi realizada porque a mãe decidiu confirmar diretamente com a filha se ela realmente estava no estabelecimento. A resposta revelou a tentativa de golpe: Isabela não estava na oficina e o áudio recebido havia sido produzido por inteligência artificial.
Os casos mostram como a clonagem de voz pode ser utilizada para complementar golpes tradicionais, principalmente em situações que envolvem negociações pela internet e pagamentos instantâneos. Informações disponíveis nas redes sociais e outros dados pessoais podem ser combinados pelos criminosos para tornar a abordagem mais convincente.