Prefeito de Não-Me-Toque alerta para queda na arrecadação e anuncia revisão de investimentos
15 de setembro de 2026
O prefeito de Não-Me-Toque, Gilson dos Santos, utilizou a Tribuna da Câmara de Vereadores na noite desta segunda-feira (14) para apresentar aos vereadores um cenário de queda na arrecadação municipal e os possíveis impactos sobre os investimentos e serviços oferecidos à população. Segundo o chefe do Executivo, as projeções mais recentes apontam uma redução entre R$ 22 milhões e R$ 25 milhões nos recursos previstos para o município, principalmente em repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
Após o pronunciamento, o prefeito conversou com o Grupo Ceres de Comunicação e explicou que a participação na sessão teve como objetivo dar conhecimento ao Legislativo e à comunidade sobre a situação financeira projetada para os próximos meses.
De acordo com Gilson, inicialmente o município trabalhava com uma estimativa de queda de aproximadamente 9% na arrecadação. Com a atualização dos números recebida na última semana, a projeção passou para 18,5%, o que representa, segundo ele, entre R$ 22 milhões e R$ 25 milhões a menos em recursos para Não-Me-Toque.
“Não-Me-Toque não é uma ilha. A gente sabia que isso ia acontecer. As empresas não arrecadando, as indústrias não produzindo, as pessoas não vendendo no comércio, o recurso não chegaria aqui. E está aí a realidade”, afirmou.
Prefeitura deverá revisar investimentos
O prefeito destacou que o município possui uma situação financeira considerada saudável, mas afirmou que a redução dos recursos deverá exigir uma revisão das despesas e dos investimentos. Segundo ele, a administração terá de estabelecer prioridades e adequar os programas e serviços à nova realidade de arrecadação.
Entre as áreas citadas estão saúde e educação. Gilson afirmou que o município atualmente destina cerca de 33% dos recursos para a educação, acima do mínimo constitucional de 25%. Na saúde, segundo o prefeito, o investimento se aproxima de 25%, incluindo a realização de exames, consultas e cirurgias.
Ele avaliou que parte desses serviços representa responsabilidades que deveriam contar com maior participação do Estado e da União. Diante do cenário de queda na arrecadação, porém, a administração deverá reavaliar esses investimentos para adequá-los à disponibilidade financeira do município.
“Não tem como fazer mágica. A gente não produz dinheiro. Não é terra arrasada, não estamos longe de a Prefeitura estar com problemas financeiros. O que me dói é ter que dizer para as pessoas que nós não vamos poder investir, que nós não vamos poder fazer algumas situações, ajudar algumas entidades”, declarou.
Prefeito cita impacto na população
Durante a entrevista, Gilson dos Santos também relacionou a situação da arrecadação municipal ao cenário econômico enfrentado por empresas, trabalhadores, empreendedores e produtores rurais.
Segundo ele, a redução dos recursos públicos não representa apenas uma questão contábil, mas poderá refletir diretamente na capacidade do município de manter serviços e realizar novos investimentos.
O prefeito também fez críticas à condução da economia em nível federal e atribuiu parte das dificuldades enfrentadas pelos municípios a decisões tomadas pelo governo federal. As declarações foram feitas durante a entrevista concedida após a sessão da Câmara.
Ao falar sobre o impacto social da situação, Gilson afirmou que uma das principais preocupações é o reflexo da crise sobre as famílias que perderam renda ou emprego, além de empreendedores que enfrentam dificuldades para manter seus negócios.
O chefe do Executivo municipal afirmou ainda que a administração pretende trabalhar com responsabilidade diante do novo cenário e buscar, junto ao Legislativo e à comunidade, alternativas para atravessar o período de redução da arrecadação.
“Eu fiz questão de vir pessoalmente na Câmara de Vereadores transmitir isso para os vereadores. Eu sei que eles têm também a mesma austeridade, a mesma responsabilidade que a gente tem, para que a gente possa se dar as mãos agora junto com a comunidade e passar por esse momento de dificuldade, olhar para o futuro e saber que lá na frente a gente vai poder colher bons frutos”, concluiu.