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Crise no STF se agrava após relatório da PF sobre encontros entre Moraes e dono do Banco Master

Política

04 de setembro de 2026

Crise no STF se agrava após relatório da PF sobre encontros entre Moraes e dono do Banco Master
Documento teve sigilo quebrado por André Mendonça e registra contatos entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro; ministro reagiu pedindo investigação contra o colega
Foto: Divulgação

A crise interna no Supremo Tribunal Federal (STF) se intensificou nesta semana após o ministro André Mendonça determinar o levantamento do sigilo de um relatório da Polícia Federal que reúne mensagens e informações sobre encontros entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Segundo o documento, a PF mapeou uma série de contatos entre Moraes e Vorcaro entre fevereiro de 2024 e agosto de 2025. O primeiro contato teria sido intermediado ainda em 2023 pelo então ministro das Comunicações do governo Jair Bolsonaro, Fábio Faria, que encaminhou a Vorcaro o número de telefone de Moraes.

Entre os registros levantados pela investigação está um jantar realizado em 2 de fevereiro de 2024, com a participação de Moraes, Vorcaro e as respectivas esposas. O relatório também aponta outros encontros entre os dois em novembro daquele ano.

Em março de 2025, Vorcaro informou à esposa que estava com Moraes e posteriormente relatou a mesma situação a um diretor do Banco Central. No mês seguinte, disse que estava indo encontrar o ministro nas proximidades de sua residência.

O relatório também registra conversas de Vorcaro com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, intermediadas pelo advogado Ciro Soares. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, também é citado no material.

Reação de Moraes

Moraes ainda não apresentou manifestação oficial sobre as citações envolvendo os encontros com Vorcaro. Paralelamente, porém, o ministro reagiu à atuação de André Mendonça no caso e pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, a abertura de uma investigação contra o colega.

Em decisão assinada na noite de quinta-feira (3), Moraes apontou suspeitas contra Mendonça relacionadas à condução das investigações envolvendo o Banco Master e à atuação do ministro em procedimentos da Polícia Federal.

Entre as acusações apresentadas estão suposta usurpação da direção das investigações, condução irregular de tratativas de delação premiada e direcionamento de investigação contra Moraes.

As suspeitas têm como base relatórios de inteligência da PF relacionados às operações Sem Desconto, que investiga fraudes envolvendo o INSS, e Compliance Zero, que apura irregularidades ligadas ao Banco Master.

De acordo com Moraes, os documentos apontariam três possíveis condutas de Mendonça: interferência na condução das investigações pela PF, participação irregular em negociações de colaboração premiada e direcionamento de alvos por motivos pessoais e políticos.

Entre os alvos mencionados está o próprio Moraes, além do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

PGR questiona investigação

A Procuradoria-Geral da República pediu a nulidade do relatório da PF em parecer apresentado no caso. Paulo Gonet argumentou que a investigação não poderia ter avançado daquela maneira sem provocação do Ministério Público.

A PGR também questionou o tratamento dado às informações relacionadas a autoridades que possuem foro por prerrogativa de função no STF.

No parecer, Gonet afirmou que houve esforço para buscar indicativos de eventual envolvimento de Moraes em ilícitos. O procurador-geral também sustentou que Mendonça não poderia assumir funções de investigação pré-processual e acusação.

Segundo Gonet, Mendonça tinha conhecimento de que entre as pessoas alcançadas pela apuração estavam autoridades com foro no Supremo.

Fachin determina manifestações

Diante do conflito entre os ministros e dos questionamentos apresentados pela PGR, Edson Fachin determinou que Moraes, Mendonça, Gonet e Andrei Rodrigues apresentem manifestações no prazo de cinco dias.

A medida faz parte de um procedimento aberto por Fachin para esclarecer os pontos levantados pela Procuradoria-Geral da República, que havia pedido a extinção da apuração conduzida por Mendonça.

O presidente do STF também retirou do âmbito do inquérito das fake news o pedido feito por Moraes para investigar Mendonça.

Com isso, o caso passou a envolver diretamente quatro integrantes de diferentes instituições — dois ministros do STF, o procurador-geral da República e o diretor-geral da Polícia Federal — ampliando a crise institucional em torno das investigações relacionadas ao Banco Master.