Quarta-feira, 26 de Agosto de 2026

Quarta-feira
26 Agosto 2026

Tempo agora

Tempo nublado 12
Tempo nublado 25°C | 11°C
Parcialmente nublado
Qui 27/08 27°C | 16°C
Chuvas esparsas
Sex 28/08 27°C | 20°C

Novo exame de sangue pode detectar Alzheimer de forma menos invasiva

Saúde

26 de agosto de 2026

Novo exame de sangue pode detectar Alzheimer de forma menos invasiva
A nova técnica vai ajudar em diagnósticos mais simples, menos invasivos e substituirá exames mais complexos
Foto: stefamerpik no Magnific

A doença de Alzheimer pode estar mais próxima de um diagnóstico simples e menos invasivo. Pesquisadores do Hospital Xuanwu, da Universidade de Medicina da Capital, na China, desenvolveram um exame de sangue capaz de detectar a atividade de proteínas amiloides (A) associadas à condição. Os resultados foram publicados ontem no Chinese Medical Journal.

O estudo, liderado pelo professor Jianping Jia, utiliza uma tecnologia conhecida como amplificação cíclica de proteínas mal enoveladas por ultrassom em tempo real (PMCA). O método identifica no plasma a chamada “atividade de semeadura” da A, um processo em que proteínas malformadas estimulam outras a assumir a mesma configuração e formar agregados. Esse mecanismo é considerado um dos processos centrais relacionados à progressão da doença de Alzheimer.

Hoje, a confirmação biológica da doença depende principalmente da análise do líquido cefalorraquidiano (LCR), obtido por punção lombar, ou de exames de tomografia por emissão de pósitrons (PET). Embora eficazes, essas técnicas podem ser invasivas, caras ou pouco disponíveis. Os exames sanguíneos surgiram como alternativa promissora, mas ainda são limitados os estudos capazes de medir diretamente a atividade de agregação das proteínas A.

Combinação

A nova técnica combina ultrassom e fluorescência para acompanhar, em tempo real, a formação e a amplificação dos agregados. Segundo os pesquisadores, o ultrassom cria condições físicas que favorecem a formação de fibrilas e, ao mesmo tempo, promove alterações estruturais nas proteínas A normais. Com isso, a reação de amplificação se torna mais eficiente. O processo pode ser concluído em aproximadamente 24 horas e é capaz de detectar concentrações extremamente baixas de aglomerados de A.

Para avaliar a eficácia do método, os pesquisadores dividiram o trabalho em duas etapas. A fase inicial contou com 120 participantes. Depois, o exame foi testado em uma população independente de 429 pessoas, incluindo indivíduos cognitivamente saudáveis, pacientes com comprometimento cognitivo leve (CCL) causado pelo Alzheimer, pessoas com Alzheimer e pacientes com outros tipos de demência.

Os resultados mostraram diferenças significativas entre os grupos. Pessoas com Alzheimer apresentaram atividade de semeadura de A no plasma muito maior do que indivíduos cognitivamente normais e pacientes com demências não relacionadas à doença. O mesmo padrão foi observado em pessoas com CCL devido ao Alzheimer, indicando que o teste pode detectar alterações associadas à doença ainda em uma fase inicial.

Para os pesquisadores, a principal vantagem está na possibilidade de transformar um mecanismo complexo da doença em um biomarcador acessível por meio de uma simples coleta de sangue. A tecnologia poderá, no futuro, facilitar a triagem em larga escala, inclusive em serviços de atenção básica, além de contribuir para a identificação precoce e o acompanhamento da evolução da doença.

Fonte: Correio Braziliense