Economia gaúcha teve menor crescimento dentre todos os Estados em 2022-2023
28 de julho de 2026
O Rio Grande do Sul registrou o menor crescimento econômico entre todos os Estados brasileiros no biênio 2002-2023. É o que aponta um estudo realizado pelo Instituto Fecomércio de Pesquisa (Ifep) e com foco na trajetória do setor nas últimas duas décadas e na indicação de caminhos para retomada do crescimento de renda e produtividade no Estado.
A primeira nota da série apresenta um diagnóstico comparativo do desempenho do Rio Grande do Sul em relação aos estados brasileiros, com destaque para os vizinhos da Região Sul, e em relação ao Brasil como um todo.
O levantamento mostra que, no período analisado, o Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho cresceu 34%, resultado inferior à média nacional (58%), ao Paraná (55%) e a Santa Catarina (65%). Segundo o estudo, o baixo desempenho não se limita ao crescimento agregado da economia.
Quando a análise considera o PIB per capita, indicador que mede a renda média por habitante, o Rio Grande do Sul também aparece entre os piores resultados do país, com crescimento de apenas 24% no período, à frente apenas de Santa Catarina, que registrou alta de 19%. O Paraná apresentou o melhor desempenho da Região Sul, com crescimento de 31%.
O crescimento econômico e da renda por habitante refletem dinâmicas distintas. Enquanto Santa Catarina ampliou significativamente o tamanho de sua economia impulsionada pelo crescimento populacional, o Paraná conseguiu converter melhor o crescimento econômico em ganhos de renda por habitante por meio de avanços de produtividade. Já o Rio Grande do Sul não se destacou em nenhum desses dois canais.
Outro aspecto analisado pelo Ifep foi a composição do crescimento econômico. No Paraná, 73% da expansão do PIB per capita decorreu de ganhos de produtividade do trabalho. Em Santa Catarina, o crescimento se dividiu entre produtividade e expansão da população ocupada. No Rio Grande do Sul, embora a produtividade tenha respondido pela maior parte do crescimento da renda, houve dependência relativamente maior da expansão do emprego, um mecanismo que tende a perder força diante do envelhecimento populacional.
A pesquisa aponta ainda que a vantagem relativa de produtividade que o Rio Grande do Sul possuía em relação à média nacional no início dos anos 2000 praticamente desapareceu ao longo das últimas duas décadas. Entre 2002 e 2023, a produtividade do trabalho gaúcha cresceu, em média, 0,65% ao ano, abaixo da média brasileira de 0,94%.
Desafios
Para o diretor executivo do Ifep, Lucas Schifino, o principal resultado deste estudo é mostrar que o desafio do Rio Grande do Sul não está apenas na velocidade do crescimento, mas na ausência de um diferencial claro que sustente esse crescimento ao longo do tempo:
“Nas últimas duas décadas, o Estado não contou com o impulso demográfico observado em Santa Catarina nem com os ganhos de produtividade que marcaram a trajetória do Paraná. Isso explica por que fomos perdendo posição relativa no cenário nacional. Com uma população envelhecendo e um crescimento demográfico cada vez mais limitado, a produtividade deixa de ser apenas um indicador econômico e passa a ser a principal condição para ampliar renda, competitividade e bem-estar”.
Compreender os fatores que limitaram o crescimento econômico do Estado é fundamental para a construção de uma agenda de desenvolvimento sustentável, afirma Luiz Carlos Bohn, presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac e Ifep no RS:
“O estudo evidencia que o desafio do Rio Grande do Sul vai além de crescer mais. Precisamos entender por que o Estado perdeu competitividade relativa e quais fatores impediram avanços mais robustos em produtividade e geração de renda. Um diagnóstico qualificado é condição indispensável para orientar políticas públicas, investimentos e estratégias capazes de fortalecer o ambiente de negócios e ampliar as oportunidades para a população gaúcha”. A íntegra do documento está disponível por meio de link no site da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo – fecomercio-rs.org.br.
Fonte: Redação O Sul