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Desastre climático e econômico exige repensar sustentabilidade

Economia

24 de julho de 2026

Desastre climático e econômico exige repensar sustentabilidade
Enchentes atingem estruturas do sistema elétrico, dificultam reparos e reforçam a pressão para que empresas invistam em soluções mais sustentáveis e resilientes
Foto : Magnific / Divulgação

Vai longe a época em que se falava em “tempo ruim” na economia quando caíam as bolsas ou o PIB perdia desempenho. Pois agora a expressão é, sim, ligada exatamente ao tempo e ao clima, levando efeitos sérios à atividade econômica. Depois de frio estúpido e calorão de mais de 30 graus seguido por chuvarada nos últimos dias, o El Niño ganha força empurrado pelo aquecimento global.

Entre 1991 e 2023 o Brasil registrou mais de 64 mil desastres climáticos, segundo dados do Sistema Integrado de Informações, média de 2,6 mil por ano. Já entre 2020 e 2023 foram 16 mil ocorrências e média maior, de 4 mil por ano.

As secas responderam por metade dos casos e as enchentes representaram 27%. Tempestades, 19%. No noticiário sobre chuvas os levantamentos sobre consumidores sem luz são constantes, mas o cenário é mais complexo quando se pensa em equipamentos relacionados com abastecimento de energia que ficam expostos aos danos.

Torres de transmissão destruídas, por exemplo, demandam equipes de 10 a 20 profissionais, guindastes, veículos pesados e meses de serviços em alguns casos. E o pior, componentes estruturais não ficam em estoque em grande quantidade e muitas vezes é preciso encomendar peças. Quem conta esses detalhes é o engenheiro eletricista Odilon Francisco Pavón Duarte, vice-coordenador no Sindienergia-RS e professor MBA em Gestão de Energia e Eficiência Energética na Universidade Católica de Petrópolis (UCP/RJ).

Quanto mais o clima se agrava, serviços mais demorados e que demandam mais gente para resolver as avarias vão surgir. E como as empresas precisam atender normas internacionais de segurança e continuidade de serviços como as diretrizes da International Electrotechnical Commission, é preciso priorizar reparos emergenciais para restabelecer o fornecimento parcial de energia enquanto a reposição definitiva é organizada.

É natural que a emergência seja atendida primeiro, mas hoje em dia é tanta emergência que é possível imaginar que os reparos mais complexos fiquem cada vez difíceis de fazer. Por outro lado, as empresas atualmente devem comprovar práticas sustentáveis na tentativa de reverter esse quadro climático. E quem não estiver atento a isso pode perder participação no mercado, ficar sem acesso a financiamentos e encontrar barreiras para exportar.

Na prática

  • O uso de fontes renováveis pode reduzir custos não só para o consumidor, mas também com relação a equipamentos e peças que sustentam o sistema. O professor Odilon traz como exemplo a fonte solar. “Os módulos estão amplamente disponíveis no mercado e podem ser substituídos em poucos dias, com equipes de três a cinco técnicos. Em muitos casos é possível realizar reparos parciais e restabelecer parte da geração rapidamente”, assinala.
  • E lembrando sempre que energia que não precisa queimar combustível reduz o aquecimento global, aquele mesmo que se fosse aplacado não daria impulso para o El Niño. Não tem jeito. Empresas e pessoas vão ter que adotar mudanças para “ontem” se quiserem travar essa piora no clima. É bem verdade que não veremos os resultados, mas, por favor, vamos pensar nos netos e bisnetos.

Fonte: Correio do Povo