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Gato-palheiro-pampeano, que está à beira da extinção, tem população estimada de 250 animais e perdeu 25% do habitat

Notícias

06 de julho de 2026

Gato-palheiro-pampeano, que está à beira da extinção, tem população estimada de 250 animais e perdeu 25% do habitat
Felino gaúcho, o gato-palheiro-pampeano tem visto seu habitat nativo diminuindo
Foto: Felipe B. Peters

O gato-palheiro-pampeano (Leopardus munoai), um dos felinos mais raros do Brasil, que entrou para a lista nacional da fauna ameaçada de extinção na categoria “Criticamente em Perigo”, o último estágio antes da extinção na natureza, tem população estimada de 250 animais e perdeu 25% do habitat em apenas 15 anos.

Discreto, difícil de ser visto e restrito a áreas de campos nativos do sul do Rio Grande do Sul, Uruguai e nordeste da Argentina, o animal é conhecido entre especialistas como o “fantasma dos pampas” por sua raridade e comportamento esquivo.

Dados levantados pelo projeto Felinos do Pampa mostram que, em apenas 15 anos, o habitat nativo do felino diminuiu mais de 25%. No mesmo período, as áreas destinadas à agricultura, como plantações de soja, e à silvicultura, para produção de papel e celulose, cresceram quase 30%, substituindo diretamente o ambiente do animal.

De acordo com pesquisadores, a população estimada desse animal em todo o seu habitat no Brasil é de cerca de 250 animais. A estimativa, no entanto, é de difícil confirmação, pois o animal é raro e especialista em se esconder.

Com pelagem pardo-acinzentada, orelhas triangulares e focinho rosado, o animal possui uma camuflagem perfeita para se esconder na vegetação seca do Pampa.

O bioma Pampa, também conhecido como campos sulinos, está localizado no Brasil exclusivamente no Rio Grande do Sul, onde cobre 63% do território, mas também se estende pelo Uruguai, Argentina e Paraguai. O termo, de origem quíchua, significa “região plana” e descreve a paisagem dominante de planícies e relevos suaves, as chamadas coxilhas, cobertas por vegetação rasteira. Considerado um patrimônio cultural, o bioma possui uma rica biodiversidade, com cerca de 3 mil espécies de plantas e quase 500 de aves. Sua paisagem está historicamente associada à cultura gaúcha e à pecuária em campo nativo, prática que ajudou a conservar seus ecossistemas.

Um dos dados mais alarmantes é de que menos de 1% das áreas consideradas de alta qualidade para o gato-palheiro estão dentro de unidades de conservação. Isso significa que os melhores refúgios para a espécie estão quase totalmente desprotegidos.

A espécie depende especificamente dos campos nativos, ecossistema encontrado em áreas de pecuária tradicional, que está se tornando cada vez mais raro.

“Onde tem essa pecuária tradicional, onde tem o gado, aquela figura do gaúcho a cavalo tocando gado, é onde está o gato-palheiro”, afirma Felipe Peters, biólogo e pesquisador.

Além da perda de território, o gato-palheiro enfrenta outras ameaças graves. Entre elas estão a predação por cães domésticos, atropelamentos em rodovias que cortam seu habitat, incêndios utilizados para manejo de pastagens e a caça por retaliação, quando o felino preda animais de criação.

Para tentar reverter o cenário, especialistas do Felinos do Pampa atuam em várias frentes. As ações incluem a sinalização de pontos críticos de atropelamento, campanhas de vacinação de animais domésticos para evitar a transmissão de doenças e o diálogo com produtores para mitigar a caça retaliativa.

A principal estratégia, contudo, é combater a perda de habitat.

“É um bicho que sempre ficou escondido. E a gente, nesses últimos anos, está batalhando para que as pessoas conheçam ele, assimilem o valor que esse bicho teme porque ele é aqui do sul, é um gato gaúcho”, completa Peters.

Um estudo realizado pelos pesquisadores Fabio Oliveira do Nascimento, Jilong Cheng e Anderson Feijó, a partir da análise de 142 exemplares conservados em mais de 20 museus de história natural ao redor do mundo, mostrou que são cinco espécies conhecidas como “gato-palheiro” (sendo o pampeano a mais ameaçada no Brasil):

Leopardus colocola (Chile central), Leopardus pajeros (Argentina central e sul), Leopardus garleppi (Andes tropicais), Leopardus braccatus (Cerrado e Pantanal brasileiros), e o Leopardus munoai.

  • Características: adultos pesam de 2 a 6 kg. A pelagem varia de cinza a pardo, com listras pretas nas patas. O nariz é rosado, e as orelhas são triangulares.
  • Hábitos: ativo de dia e de noite, sua dieta inclui rãs, aves e pequenos roedores.
  • Ocorrência: espécie endêmica do Pampa, restrita ao sul do Rio Grande do Sul, Uruguai e nordeste da Argentina.

Como ajudar a proteger os felinos silvestres

  • Cuidado nas rodovias: respeite os limites de velocidade, principalmente à noite.
  • Guarda responsável: mantenha cães e gatos domésticos em casa e com a vacinação em dia.
  • Ataque a animais de criação: caso um felino ataque galinhas ou outros animais, entre em contato com órgãos ambientais como a Polícia Ambiental (190) ou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) (0800 061 8080).
  • Denuncie: caça, captura ou manutenção desses animais em cativeiro é crime.

Fonte: g1