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Bolsa brasileira deve ter desempenho pior do que em outros mercados emergentes neste ano

Economia

03 de julho de 2026

Bolsa brasileira deve ter desempenho pior do que em outros mercados emergentes neste ano
Cenário doméstico incerto prejudica desempenho das ações na Bolsa e enfraquecem mercado financeiro brasileiro.
Foto: Reprodução

O Ibovespa deve ter desempenho inferior ao de outros mercados emergentes em 2026, devido à queda nos preços das commodities e ao risco político, além de preocupação persistente com o quadro fiscal, avalia a consultoria Capital Economics, em relatório. Em 2025, a Bolsa  do Brasil teve resultado melhor do que o de pares.

“Embora as ações brasileiras agora pareçam baratas, com ‘valuations’ [valor do ativo] baixos em relação ao Índice MSCI de Mercados Emergentes e à sua própria mediana de longo prazo, há algumas razões pelas quais o ‘valuations’ provavelmente não melhorarão muito a partir daqui”, afirma a economista Elias Hilmer.

A consultoria britânica nota que o desconto no ‘valuation’ reflete a composição setorial do Ibovespa, que tem forte peso de ações de bancos, energia e materiais, setores que tendem a ter múltiplos mais baixos. Além disso, o múltiplo preço/lucro (P/L) não parece tão barato quando se considera o nível das taxas de juros reais, com a Selic, a taxa básica de juros, em 14,25% ao ano, e o prêmio de risco político, acrescenta.

A Capital Economics menciona a probabilidade de que a eleição de outubro não traga políticas mais favoráveis ao mercado, notando que o candidato da oposição Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não esclareceu qual será o arcabouço fiscal caso seja eleito. Também observa que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continua tendo uma performance melhor nas pesquisas eleitorais.

A consultoria afirma ainda que prevê queda nos preços do petróleo e do minério de ferro nos próximos anos, o que deve representar um grande obstáculo para os lucros nos setores de energia e materiais do Brasil.

Cotação do dia

O dólar encerrou essa quinta-feira (2) praticamente estável diante do real, com leve queda de 0,03%, cotado a R$ 5,2078. Ao longo do dia, a moeda norte-americana oscilou entre altas e baixas, refletindo a divulgação de indicadores econômicos dos Estados Unidos e o acompanhamento de investidores sobre o cenário internacional. Na Bolsa brasileira, o Ibovespa fechou em alta de 0,64%, aos 172.788 pontos.

Com o resultado, o dólar acumula valorização de 0,79% na semana e de 0,87% no mês. No ano, porém, a moeda registra queda de 5,12% frente ao real. Já o principal índice da B3 voltou a avançar, impulsionado principalmente pelo desempenho de ações de maior peso e pela repercussão dos dados da economia norte-americana.

O principal destaque do dia foi a divulgação do payroll, relatório oficial do mercado de trabalho dos Estados Unidos. O documento mostrou que a economia americana criou 57 mil vagas de emprego em junho, abaixo das 129 mil registradas em maio e também inferior às expectativas do mercado. O indicador é um dos mais acompanhados pelo Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, por servir como referência para avaliar o ritmo da atividade econômica e orientar as decisões sobre a política de juros.

Na quarta-feira (1º), o presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou que os riscos de aceleração da inflação diminuíram nos Estados Unidos, mas ressaltou que a instituição permanece comprometida em levar a inflação para a meta de 2%. As declarações reforçaram a expectativa dos investidores sobre os próximos passos da política monetária americana.

Além do payroll, o mercado acompanhou outros indicadores internacionais, entre eles os pedidos iniciais de seguro-desemprego nos Estados Unidos e a taxa de desemprego da zona do euro. Os dados ajudaram a direcionar os negócios ao longo do pregão e influenciaram o comportamento dos mercados globais.

No cenário doméstico, investidores também repercutiram as sanções anunciadas pelo governo dos Estados Unidos contra dois brasileiros, três empresas sediadas no Brasil e uma empresa portuguesa por suposta ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). As medidas foram formalizadas pelo Departamento do Tesouro norte-americano na quarta-feira (1º).

Em comunicado, o governo do presidente Donald Trump classificou o PCC como a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental e afirmou que a facção representa uma ameaça significativa à segurança nacional dos Estados Unidos. As autoridades americanas também acusam o grupo de utilizar o sistema financeiro do país para lavar dinheiro.

Segundo o Departamento do Tesouro, os brasileiros sancionados fariam parte de uma rede internacional de lavagem de dinheiro vinculada ao PCC, investigada no estado da Flórida. Ainda de acordo com o governo norte-americano, outras seis pessoas suspeitas de integrar essa estrutura criminosa foram presas no início deste ano durante uma operação realizada pelas autoridades dos Estados Unidos.

Fonte: Redação O Sul