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TEA: Rede em Carazinho fortalece atendimento, apoio e inclusão

Carazinho

20 de junho de 2026

TEA: Rede em Carazinho fortalece atendimento, apoio e inclusão
Vários segmentos são envolvidos para prestar atendimento e suporte a um número cada vez maior de pessoas.
Foto: Divulgação

Em Carazinho, o cuidado com as crianças com autismo é construído todos os dias por meio de uma rede de atendimento formada por profissionais comprometidos com o acolhimento, o respeito e a inclusão, envolvendo várias secretarias. O TEAcolhe, o CEMAEE, a rede municipal de ensino, o CAPSi e o Programa Crescer Bem fazem parte desse trabalho integrado, que busca ampliar o acesso, fortalecer os atendimentos e apoiar as famílias.

Nesta semana tivemos o Dia do Orgulho Autista, criado em 2005 pelos próprios neurodivergentes e celebrado anualmente em 18 de junho. A data é focada em celebrar a neurodiversidade e combater o estigma associado ao Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Diferente do Dia Mundial de Conscientização, em 2 de abril, que foca em diagnóstico e informações para pessoas neurotípicas, a data de junho é voltada para a valorização da própria identidade do autista, promovendo o respeito, a inclusão e a autonomia.

ESF

Uma das portas de entrada para famílias que buscam o encaminhamento a um diagnóstico é no próprio bairro, em sua ESF. Um exemplo é a unidade da Sassi, onde a enfermeira Cleonice Godoi e a Dra Josiane Grespan atuam nessa área em casos que são levados pelos agentes de saúde. Frequentando as casas da comunidade, eles fazem o encaminhamento ao observar algo diferente nas crianças. As escolas também tem esse olhar atento, feita pelos professores. Na ESF, passam por triagem, escuta dos pais, até a consulta com a Dra Josiane. É um rastreio, para a próxima etapa, que é o encaminhamento ao CAS TEAcolhe, onde vai ser feito o diagnóstico.

CAS TEAcolhe

Funcionando em espaço no Campus UPF, o CAS TEAcolhe atende neste momento 171 pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), com idades entre 1 ano e 9 meses e 36 anos.  Desse total, apenas 7 são de outras cidades. “O objetivo é promover a vida, a autoestima e a autovalorização da pessoa com autismo em suas capacidades, com habilitação e reabilitação na área da saúde. A expectativa é capacitar e tornar a pessoa o mais independente possível, ao longo da vida”, diz Lisandra Sandri, Coordenadora do CAS TEAcolhe.

Inaugurado em fevereiro de 2025 e mantido com recursos do Estado e do Município de Carazinho, o CAS TEAcolhe conta com equipe multidisciplinar formada por 21 profissionais, dos quais 18 são terapeutas que atua de forma mais assertiva e rápida para uma demanda que cresceu nos últimos anos. Em 2005, eram 5 pessoas com autismo para cada 100. Hoje são 36 para cada 100.

CAPSI

O CAPS Infantil (Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil) de Carazinho é um serviço gratuito do SUS focado no cuidado da saúde mental de crianças e adolescentes, e que também é disponibilizado a autistas.

A enfermeira Silvana Kemerich, Coordenadora do local, explica que a demanda de crianças ou adolescentes com TEA é livre, ou seja, a família pode procurar de forma espontânea, ou haver a indicação através da rede de proteção. A maioria, porém, chega pela Atenção Básica da saúde municipal, quando passa pelo médico e há a suspeita ou o diagnóstico confirmado de autismo.

“Temos um sistema online de encaminhamentos, e quando a criança é atendida numa das unidades básicas, temos acesso a esse prontuário, a esses dados, podendo ver que tratamento ela já vem fazendo uso, ou se está sob suspeita, é feita a avaliação”. Conforme Silvana, o CAPSi tem uma equipe multiprofissional composta por médico, psicólogos, psicopedagogos, enfermeiro, terapeuta ocupacional, assistente social que faz a avaliação para chegar à conclusão desse diagnóstico. Quando a criança já chega com o diagnóstico já formado por outros profissionais, a equipe elabora um plano terapêutico, um tratamento, um atendimento, apropriado para essa criança.

O CAPSi atende de 0 a 17 anos, 11 meses e 29 dias. Não há um limite de atendimentos dentro dessa faixa etária. De acordo com a evolução da criança, ela é liberada, e no caso de ela estar em atendimento e completar 18 anos, passa a ser atendida no CAPS adulto, pois não existe um encerramento do atendimento, ele é disponibilizado enquanto houver a necessidade, ao longo da vida.

Antes da criação do CAS TEAcolhe o CAPSi atendia toda a demanda de autismo do município. Após, reduziu bastante o número de crianças pois esse atendimento foi centralizado no CAS TEAcolhe, estando o CAPSi como um suporte, já que há um aumento significativo de crianças com TEA.

CEMAEE

O CEMAEE (Centro Municipal de Atendimento Educacional Especializado) de Carazinho funciona em espaço no Campus da UPF, e é um órgão da Secretaria Municipal de Educação focado na educação inclusiva. Ele oferece apoio pedagógico e terapêutico gratuito a estudantes com deficiência ou necessidades especiais que estejam matriculados na rede municipal

O diretor do CEMAEE, Charles Dickel, diz que atualmente o local atende quase 150 crianças o que corresponde a mais de 200 atendimentos semanais. A faixa etária é de 3 a 12 anos, mas a maioria tem de 4 a 6 anos de idade. “Eles recebem o suporte pedagógico, e o CEMAEE também tem fonoaudiólogo, psicólogo, psicopedagogo, profissionais que auxiliam no atendimento dessas crianças.

CRESCER BEM

O Programa Crescer Bem é uma iniciativa da prefeitura municipal de Carazinho que une as secretarias de Educação, Saúde e Assistência Social para garantir o desenvolvimento integral e o acompanhamento de crianças matriculadas na rede municipal de ensino.

A iniciativa foca em ações de atendimento integrado. O programa acelera diagnósticos, tratamentos e consultas médicas e pedagógicas, facilitando o acesso das famílias pois os atendimentos e avaliações aos estudantes acontecem aos sábados à tarde no CEM (Centro de Especialidades Médicas) localizado na Avenida Pátria.

O projeto atua em conjunto com outros serviços do município (como o TEAcolhe e o CAPSi) para fortalecer o suporte a crianças com necessidades específicas, como o autismo, oferecendo espaços de escuta e cuidado.

Fonte: Município de Carazinho