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Dirigente da Aprosoja/RS projeta a próxima safra de soja como problemática

Agricultura, Agro

13 de junho de 2026

Dirigente da Aprosoja/RS projeta a próxima safra de soja como problemática
Produtores gaúchos colheram pouco mais de 18 milhões de toneladas nesta safra, ante 13,6 milhões na anterior
Foto : Luiz Henrique Magnante / Embrapa /

Com a colheita dos grãos da safra de verão 2025/2026 em vias de ser concluída nas lavouras gaúchas, a Emater/RS-Ascar reavaliou produtividade e produção, em seu Informativo Conjuntural da quinta-feira, 11.

O rendimento médio da soja foi ajustado para 2.707 quilos por hectare (45,11 sacas de 60 quilos), redução de 14,8% aos 3.180 kg/ha (53 sacas) projetados antes do plantio. E a área explorada foi de 6.697.172 hectares, encolhimento de 1,5% em relação aos 6.796.172 hectares da safra 2024/2025, segundo o IBGE.

Já a produção da oleaginosa chegou a 18.132.401 toneladas, aumento de 32,9% ante o volume de 13.643.986 toneladas colhidas na safra anterior, um ciclo afetado pela estiagem.

“Os resultados produtivos consolidados evidenciam elevada variabilidade regional, como reflexo das distintas condições hídricas observadas ao longo do ciclo”, avaliou a instituição.

O milho já foi colhido em 98% da área de 812.540 hectares, uma extensão 13,1% maior que a de um ano antes, em 718.190 hectares. A produtividade foi reestimada pela Emater/RS-Ascar em 7.362 kg/ha (122,7 sacas), muito próximo à de 7.376 kg/ha (122,9 sacas) realizada antes do início do plantio.

“Apesar dos impactos do déficit hídrico em alguns momentos do ciclo, a produção estadual do cereal na safra 2025/2026 está estimada em 5.981.614 toneladas, o que representa acréscimo de 13,1% em relação a 5.290.051 toneladas colhidas na safra anterior”, analisou a Emater/RS-Ascar.

O presidente da Associação dos Produtores de Soja do RS (Aprosoja/RS), Ireneu Orth, concorda com a maior parte das estatísticas da Emater/RS-Ascar sobre a oleaginosa, mas contesta o número da projeção inicial de 53 sacas (3.180 kg/ha) prevista antes do plantio. Portanto, a produção colhida estaria muito mais aquém da redução de 14,8% do que se previu inicialmente.

“Nós poderíamos chegar a 60 sacas (por hectare). Então, deixamos de colher 25% a 30% menos do que uma possível projeção”, entende o dirigente, ainda que admite não ser possível “acertar 100%”.

Até porque outros estados brasileiros colheram 60, até 70 sacas por hectare, em média. Então, se colhêssemos 60 sacas por hectare, daria (uma produção) até mais do que 25% acima do que colhemos.

Safra 2026/2027

Sobre a soja no ciclo 2026/2027, Orth avalia que além do comportamento do clima para que a safra renda uma colheita “normal”, as condições financeiras dos produtores será um fator decisivo para a produtividade e a produção das lavouras gaúchas.

“Porque o agricultor, de um modo geral, como média, nem todos… porque têm agricultores que colheram bem e estão com a situação financeira equilibrada… (mas) tem outros que estão fatalmente liquidados, sem condição nenhuma de tocar seu negócio para frente, especialmente nas regiões que choveu menos, nas microrregiões que choveu menos e para quem tem terras arrendadas”, descreve o cenário.

O dirigente menciona o peso do “endividamento antigo, passado”, situação em que há “muita gente enrolada”, que não conseguiu, na rede bancária, pagar o custeio da atual safra em negociação, inclusive pelos preços baixos, e ainda possui prestações antigas a serem acertadas.

“Então, ele está impedido de prosseguir, porque se não acertar a vida financeira passada, não vai ter acesso ao crédito”, esclarece. Orth revela que ouviu, na Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães (BA), do ministro da Agricultura, André de Paula, que será anunciado “um grande plano Safra para 2026/27.”

“O Plano Safra prevê volumes enormes novamente. Só que o acesso a esse dinheiro, se não for regularizada a conta do produtor gaúcho, ele não vai ter acesso. Então, ele (plano) não vai significar nada para o agricultor”, argumenta.

Áreas sem plantio

Assim, o presidente da Aprosoja/RS projeta que, sem a resolução dos problemas econômico-financeiros, muitas áreas no Estado não serão exploradas na próxima safra, especialmente as arrendadas, enquanto muitas serão cultivadas “sem tecnologia, sem adubação, sem os demais insumos, sem o melhor que se possa fazer para produzir.” “E isto vai significar, mesmo com o clima normal, uma safra menor do ano que vem”, estima.

“Junte-se a isso tudo, a situação de mercado. O mercado do jeito que está, do começo de 2026 até agora, em nível de produtor o preço tem sido muito abaixo do custo de produção para quem colheu pouco”, revela.

Custos não caíram mais

Orth afirma que a saca de soja tem sido cotada a R$ 110 a R$ 120, conforme local é época, enquanto no ciclo 2022/2023 esteve no nível de R$ 180 a R$ 200. A questão é que, à época, os insumos também tiveram valorização. “Naquele momento, os insumos todos subiram. Subiram mais ou menos no mesmo patamar do aumento dos produtos agrícolas”, recorda.

“Só que os produtos agrícolas, todas as commodities, baixaram de preço. Soja baixou, arroz baixou, trigo baixou, milho baixou, e os insumos não baixaram”, lamenta. “Então isto faz com que o custo de uma nova lavoura é elevado e o preço das commodities é baixo”, acrescenta.

Além disso, cita, os juros estão “extremamente altos”. “Mesmo os do Plano Safra, juros impagáveis quando você não pega alguma faixa com o subsídio do governo. Juros de 15%, 18%, 20%, inviáveis totalmente para a produção”, alega. “E o outro fator é o seguro agrícola, que se tivesse seguro em condições de serem feitas, o produtor faria seguro e, por qualquer intempérie climática ou outra, ele estaria coberto, a sua dívida seria liquidada”, lembra.

“Como o seguro é inalcançável pelas taxas que estão sendo cobradas hoje no mercado, praticamente muito pouca gente fez seguro. Então fica a dívida cada vez. Então, estamos vivendo uma situação complicada no Rio Grande do Sul. Nos demais estados também existem problemas, mas não tão sérios quanto aqui, porque lá colheram mais.”

Fonte: Correio do Povo