Despesas de prefeituras podem aumentar R$ 30 bilhões por ano com o fim da escala 6×1, afirma Melo
23 de abril de 2026
O projeto encaminhado pelo governo federal para o fim da escala 6×1 no Brasil foi o tema debatido nesta quarta-feira na reunião-almoço Tá na Mesa, promovido pela Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande Sul (Federasul). Prefeito de Porto Alegre e presidente da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), Sebastião Melo destacou os impactos da mudança, que, se aprovada, fará com as prefeituras aumentem suas despesas ao menos R$ 30 bilhões por ano com tributos.
Melo destacou que, através da FNP, contratou um estudo para dimensionar o impacto do fim da escala 6×1 nas contas dos municípios. Alguns resultados preliminares apontam rombo na máquina pública, com reflexos, principalmente, na contratação de serviços terceirizados. “Todo momento é momento de discutir, mas o governo (federal) colocou isso como pauta eleitoreira. Não sou contra o fim da escala 6×1, mas sou contra o atropelo e o seu uso eleitoral”, disse.
O prefeito da Capital destacou ainda que é preciso discutir outros temas relacionados com o bem-estar do trabalhador, como o transporte público, relacionando ao tempo de deslocamento do empregado entre sua casa e o trabalho, além da desoneração da folha de pagamento. Melo ressaltou ainda que o fim da jornada 6×1 precisa ser discutido de forma setorial, em função das características de cada segmento da economia.
“Estamos concluindo o documento (do estudo de impacto) e, depois, vou chamar uma reunião extraordinária com meus colegas prefeitos e prefeitas para levar ao Congresso Nacional e ao governo federal as nossas preocupações. Mas Brasília é assim: impõem as regras do jogo, transferem a responsabilidade e o dinheiro fica lá”, completou Melo.
Em discurso enérgico, o presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa, voltou a defender um debate técnico sobre o tema, além da liberdade para o trabalhador possa definir sua escala. “Que se retirem os encargos da folha e se incorporem ao salário deles, para que eles possam negociar a escala que querem fazer. Temos um endividamento muito alto. Mandar as pessoas para casa sem renda não nos parece humano. Não nos parece razoável vender essa ilusão eleitoral”, concluiu.
Fonte: Correio do Povo