Missão Artemis II: Especialista em astronáutica explica retorno da cápsula
10 de abril de 2026
O especialista em astronáutica Pedro Pallota explicou como funcionará o retorno da cápsula Órion, da missão Artemis II, para a Terra. A espaçonave, que leva quatro astronautas em sua jornada, passará por um complexo processo de reentrada na atmosfera terrestre nesta sexta-feira (10).
Segundo Pallota, a Órion é composta por duas seções principais: o módulo de comando, onde ficam os astronautas, e o módulo de serviço. “Esse módulo de serviço é descartado, ele não tem necessidade de voltar para a Terra, porque ele também não tem nenhuma proteção para isso. Ele serve só para fazer a parte dos painéis solares, de fornecer energia, propulsão, entre outras funções”, explicou o especialista.
O momento da reentrada é considerado crítico para a missão. A cápsula retornará à Terra a uma velocidade de 38.400 km/h, o que gera temperaturas de aproximadamente 2.500ºC no escudo de calor.
“É o que a gente chama de reentrada em velocidade de cruzeiro. A espaçonave não faz nenhum tipo de freio para fazer isso, ela simplesmente encontra a Terra na velocidade que ela estava já adquirindo ao longo dessa movimentação dos últimos dias”, detalhou Pallota.
Uma das principais preocupações da NASA está no escudo térmico da cápsula. Na missão anterior, Artemis I, o escudo apresentou cerca de 100 buracos de diferentes tamanhos. “Não ofereceu risco real para a missão, mas não é um ponto que a NASA pode ficar confortável com isso. Então, eles fizeram uma mudança nessa forma de fazer essa reentrada para evitar esse estresse grande no escudo de calor”, afirmou o especialista.
Durante o processo de reentrada, forma-se uma trilha de plasma ao redor da cápsula devido ao atrito com a atmosfera. Nesse momento, ocorre o que os especialistas chamam de “blackout de comunicações”, quando a NASA perde temporariamente o contato com os astronautas, assim como na passagem pelo lado oculto da Lua.
“Ali fica uma bagunça de tanto plasma, de tanta temperatura, e você embaralha esses sinais, esses sinais não conseguem nem sair da espaçonave e nem chegar nela”, explicou Pallota.
A desaceleração da cápsula ocorre gradualmente. Primeiro, a própria atmosfera atua como um freio natural, dissipando a energia da velocidade através do atrito. A espaçonave passa de uma velocidade hipersônica para velocidades menores, até chegar ao ponto em que é possível acionar os paraquedas para garantir um pouso seguro no oceano, evento conhecido como “splashdown” ou “amerissagem”.
“O paraquedas é nos momentos finais já do retorno. Ele é mais para você ter um conforto e fazer essa velocidade cair bastante até a hora do toque no mar”, concluiu o especialista em astronáutica.,
Fonte: CNN