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Mais de mil casos de gravidez na adolescência por dia no País

Estado

01 de abril de 2026

Mais de mil casos de gravidez na adolescência por dia no País
Em 66% dos casos, a gestação é indesejada.
Foto: EBC

A disponibilização de uma cartilha online está entre as estratégias do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) para contribuir na prevenção da gravidez na adolescência, bem como para o acolhimento e garantia de direitos em casos desse tipo, que chegam a 1.043 por dia no País. O material pode ser baixado de forma gratuita, por meio de link no site mprs.mp.br.

Produzida por iniciativa do Centro de Apoio Operacional da Educação, Infância e Juventude do órgão, a publicação ressalta que a gestação antes dos 18 anos ultrapassa os impactos biológicos e compromete diretamente o futuro de milhares de garotas – em 66% das situações, elas se tornam mães de forma indesejadas.

“De 2011 a 2021, o Brasil registrou mais de 127 mil mães nessa faixa etária, dado que também acende o alerta para situações de violência sexual”, sublinha o guia do MPRS. “O cenário está associado à evasão escolar, responsável por 18% dos abandonos e à repetição de ciclos de pobreza e exclusão social, com maior incidência entre meninas pretas e pardas.”

Dados reunidos na cartilha apontam que a iniciação sexual ocorre, em média, aos 13,4 anos entre meninos e aos 14,2 anos entre meninas. Esse precocidade reforça a importância de políticas públicas e práticas familiares que assegurem educação sexual qualificada nessa faixa etária.

Na área da saúde, o documento alerta para os riscos ampliados da gestação na adolescência, fato responsável por maiores chances de mortalidade materna e infantil, bem como prematuridade, anemia, eclâmpsia e depressão pós-parto, especialmente n segmento de 10 a 14 anos, quando o corpo – e a mente – ainda está em desenvolvimento.

A cartilha reforça que a prevenção deve estar baseada em políticas públicas eficazes, no acesso facilitado a métodos contraceptivos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e na garantia de direitos.

O material também orienta sobre os caminhos após a confirmação da gravidez, destacando a importância do acolhimento, da continuidade dos estudos e do acesso a benefícios sociais. Além disso, esclarece direitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), como a possibilidade de entrega voluntária do bebê para adoção, sem constrangimentos, e o acesso ao aborto legal nos casos previstos em lei.

Informação qualificada

Para a promotora de Justiça Cristiane Corrales, coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Educação, Infância e Juventude, a iniciativa reforça o papel institucional na promoção de direitos:

“A informação qualificada é uma ferramenta essencial para a prevenção da gravidez na adolescência e para o fortalecimento da autonomia dos jovens. Ao mesmo tempo, é fundamental garantir acolhimento, proteção e acesso a políticas públicas para quem vivencia essa realidade”.

A cartilha foi elaborada pelo Ministério Público de Pernambuco e cedida ao MPRS. Os dados utilizados têm como fontes o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Ministério da Cidadania, Ministério da Saúde e Secretaria de Saúde do Distrito Federal.

Fonte: Redação O Sul