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Papa Leão XIV critica líderes que usam Deus para justificar guerras

Mundo

29 de março de 2026

Papa Leão XIV critica líderes que usam Deus para justificar guerras
Declaração contundente do pontífice (foto) provavelmente será vista como direcionadas ao governo Donald Trump
Foto: Reprodução

O Papa Leão XIV afirmou que Deus rejeita as orações de líderes que promovem guerras e criticou o uso da religião para justificar conflitos, em um discurso contundente durante a celebração do Domingo de Ramos, na Praça de São Pedro, diante de dezenas de milhares de fiéis. A manifestação ocorreu em um dos momentos mais simbólicos do calendário cristão, quando a Igreja relembra a entrada de Jesus em Jerusalém, reforçando mensagens de paz, reflexão e renúncia à violência.

Sem citar nomes, o pontífice fez referência a governantes envolvidos em conflitos e declarou que Jesus “não escuta as orações daqueles que fazem guerra, mas as rejeita, dizendo: ‘Mesmo que façam muitas orações, não as ouvirei: suas mãos estão cheias de sangue’”. A fala foi interpretada como uma crítica direta ao uso de argumentos religiosos por autoridades políticas para legitimar ações militares.

Ao abordar a guerra envolvendo o Irã, o Papa classificou o conflito como “atroz” e afirmou que ele tem atingido diretamente populações da região. Segundo ele, cristãos no Oriente Médio “estão sofrendo as consequências de um conflito atroz”, o que dificulta inclusive a celebração da Páscoa, um dos principais eventos do calendário cristão. O pontífice destacou o impacto humanitário da guerra, enfatizando que os efeitos ultrapassam o campo militar e atingem a vida cotidiana de comunidades inteiras.

O pontífice também reforçou sua posição de rejeição à guerra como princípio, reiterando a mensagem central de seu discurso.

“Este é o nosso Deus: Jesus, Rei da Paz, que rejeita a guerra, a quem ninguém pode usar para justificar a guerra”, afirmou.

Em sua homilia, o Papa recorreu ao exemplo de Jesus para sustentar sua posição. “(Jesus) não se armou, nem se defendeu, nem travou guerra alguma”, disse, acrescentando que ele “revelou o rosto sereno de Deus, que sempre rejeita a violência. Em vez de se salvar, permitiu ser pregado na cruz.” A referência reforça a interpretação de que a mensagem cristã está fundamentada na não violência e na entrega, em oposição à lógica dos conflitos armados.

Pressão

Nos últimos dias, o pontífice tem intensificado críticas às ações militares no contexto do conflito, incluindo bombardeios aéreos, que classificou como indiscriminados, e defendeu que sejam proibidos. Ele também reiterou o pedido por um cessar-fogo imediato, insistindo na necessidade de interromper as hostilidades e buscar soluções diplomáticas.

As declarações ocorrem em um cenário em que autoridades, especialmente nos Estados Unidos, têm recorrido a referências religiosas para justificar ações militares. O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, afirmou recentemente haver “violência esmagadora em ação contra aqueles que não merecem misericórdia”.

Fonte: Redação O Sul