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Uso de inteligência artificial pode reduzir esforço mental e levanta debate sobre Atrofia cognitiva

Notícias

27 de março de 2026

Uso de inteligência artificial pode reduzir esforço mental e levanta debate sobre Atrofia cognitiva
Foto: DC Studio/Freepik

O avanço da inteligência artificial no cotidiano tem provocado mudanças que vão além da forma como as pessoas trabalham, estudam e se informam. Um estudo do MIT Media Lab, publicado em 2025 e intitulado “Your Brain on ChatGPT”, trouxe um novo conceito para esse cenário: a chamada “dívida cognitiva”, que relaciona o uso frequente dessas ferramentas a uma possível redução do esforço mental.

A pesquisa analisou 54 participantes divididos em três grupos: um utilizou apenas o próprio raciocínio, outro teve acesso à internet e um terceiro contou com o apoio de inteligência artificial. Os resultados apontaram uma diferença significativa na atividade cerebral entre os grupos, indicando que quanto maior o nível de apoio externo, menor foi a ativação do cérebro durante a execução das tarefas.

Segundo a neurologista Juliana Khouri, o grupo que utilizou inteligência artificial apresentou o nível mais baixo de atividade cerebral. Isso, conforme ela, indica que o cérebro passa a economizar energia, mas também deixa de ser estimulado com a mesma intensidade. É justamente nesse contexto que surge a chamada “dívida cognitiva”, caracterizada pela redução do esforço em funções como raciocínio, memória e tomada de decisões.

O neurocirurgião Hugo Dória reforça que o fenômeno não representa um dano direto ao cérebro, mas sim uma adaptação ao menor uso dessas habilidades. De acordo com ele, indivíduos que utilizam inteligência artificial para tarefas cognitivas complexas tendem a apresentar menor ativação em áreas ligadas à memória, atenção e pensamento crítico. Além disso, ao longo do tempo, podem demonstrar menor capacidade de retenção de informações e até uma redução no senso de autoria sobre conteúdos produzidos.

Apesar dos alertas, os especialistas destacam que a inteligência artificial não deve ser vista como vilã. O ponto central está na forma de uso. Quando utilizada de maneira passiva, sem reflexão ou participação ativa do usuário, a ferramenta pode contribuir para esse enfraquecimento do esforço cognitivo. Por outro lado, quando empregada como apoio ao aprendizado e à análise, pode ter um papel positivo.

A explicação está no funcionamento do próprio cérebro, que opera por estímulo e adaptação. Conforme destaca Dória, quanto mais exigido, mais os circuitos neurais se fortalecem. Em contrapartida, a redução dessa exigência leva a um menor esforço cognitivo ao longo do tempo. Diante disso, o estudo abre espaço para um debate cada vez mais necessário sobre equilíbrio: como aproveitar os benefícios da inteligência artificial sem abrir mão do exercício do pensamento.