PIB da Argentina cresce 4,4% em 2025
21 de março de 2026
O Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina cresceu 4,4% em 2025, informou o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) nesta sexta-feira (20). O resultado representa uma recuperação em relação a 2024, quando a economia retraiu 1,3%, conforme valores revisados. Esse foi o primeiro avanço do PIB sob a gestão do presidente ultraliberal Javier Milei, que assumiu o cargo em dezembro de 2023. É também a primeira alta desde 2022, ano em que o país cresceu 6%, durante o governo de Alberto Fernández.
Segundo o Indec, o crescimento foi puxado pela alta do consumo privado (7,9%), do consumo público (0,2%), das exportações (7,6%) e da formação bruta de capital fixo (16,4%) — indicador que mede os investimentos em obras, máquinas e equipamentos. Pelo lado da oferta, destaque para os avanços da intermediação financeira (24,7%), da exploração de minas e pedreiras (8,0%) e de hotéis e restaurantes (7,4%). Já pesca (-15,2%) e serviços domésticos (-1,1%) registraram queda.
Especialistas avaliam que, embora o resultado do PIB tenha sido positivo, ele ainda apresenta desafios estruturais, com crescimento concentrado em setores específicos e consumo interno ainda fraco — ou seja, os argentinos seguem consumindo pouco. O consumo, por exemplo, segue em desaceleração e ainda não recuperou a queda registrada no ano anterior, mesmo com o resultado positivo em 2025, explica Tito Nolazco, diretor da Prospectiva Public Affairs Latam na Argentina. Nos últimos três meses de 2025, a economia argentina cresceu 0,6% em relação ao trimestre anterior. Na comparação com o mesmo período de 2024, o avanço foi de 2,1%.
A Argentina, que já enfrentava uma forte crise antes de 2023, passou por uma ampla reforma na economia sob o comando de Milei. Após assumir o cargo, ele paralisou obras federais e interrompeu o repasse de recursos aos estados, medidas que reduziram a atividade econômica em 2024. No chamado Plano Motosserra, o presidente também retirou subsídios às tarifas de água, gás, luz, transporte público e serviços essenciais, provocando um aumento expressivo nos preços — com impacto direto no bolso dos consumidores. O cenário se estendeu para 2025.
Isso fez o controle da inflação se tornar a principal obsessão do governo, embora a tarefa tenha se mostrado difícil. O índice de preços avançou 211,4% em 2023 e 117,8% em 2024, afetando diretamente o consumo. Em 2025, a inflação caiu para 31,5%, mas analistas avaliam ainda não ser o suficiente para a estabilização econômica.
Fonte: O Sul