Japão é o primeiro país a aprovar uso de células-tronco para tratar a doença de Parkinson
18 de março de 2026
O Japão anunciou a aprovação de tratamentos com o uso de células-tronco para a doença de Parkinson e para insuficiência cardíaca grave. A previsão do país é de que os recursos terapêuticos sejam oferecidos à população ainda neste ano.
O Ministério da Saúde japonês deu autorização à farmacêutica Sumitomo Pharma para fabricar e comercializar o Amchepry, tratamento desenvolvido para a doença de Parkinson que envolve o transplante de células-tronco no cérebro do paciente. A pasta também autorizou a utilização do ReHeart, uma técnica com lâminas de músculo cardíaco desenvolvidas pela startup médica Cuorips, que podem ajudar a formar novos vasos sanguíneos e restaurar a função cardíaca.
Assim que a fabricação e a comercialização tiverem início, o tratamento para Parkinson será o primeiro produto médico comercialmente disponível no mundo a utilizar células-tronco pluripotentes induzidas (iPSCs), que são criadas artificialmente a partir da reprogramação de células adultas já especializadas para um estado embrionário.
“Espero que isso traga alívio aos pacientes não só no Japão, mas em todo o mundo”, disse o ministro da Saúde do país, Kenichiro Ueno. “Realizaremos prontamente todos os procedimentos necessários para garantir que chegue a todos os pacientes, sem falta.”
Melhoria dos sintomas
Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Kyoto apontou que o tratamento da Sumitomo Pharma é seguro e eficaz para a melhoria dos sintomas. A pesquisa envolveu sete pacientes com Parkinson, com idades entre 50 e 69 anos, cada um dos quais recebeu implantes de cinco a dez milhões de células em ambos os lados do cérebro.
As células iPSCs, provenientes de doadores saudáveis, foram transformadas em células cerebrais produtoras de dopamina, que estão ausentes em pacientes com a doença de Parkinson. De acordo com a emissora pública japonesa NHK, nos ensaios clínicos, as funções motoras de alguns pacientes tiveram melhora.
Professor da Universidade de Kyoto, Shinya Yamanaka anunciou a geração de células iPS em 2006 e recebeu o Prêmio Nobel por esse trabalho em 2012. O governo japonês tem apoiado a pesquisa e o desenvolvimento dessa medicina regenerativa.
Parkinson é uma doença neurológica crônica e degenerativa que afeta o sistema motor do corpo, causando tremores e outras dificuldades de movimento. Conforme a Fundação Parkinson, aproximadamente 10 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem desta doença. As informações são da agência de notícias AFP.
Fonte: Redação O Sul