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Soja brasileira se destaca no cenário mundial pelo maior teor de proteína

Ceres Agronews

15 de março de 2026

Soja brasileira se destaca no cenário mundial pelo maior teor de proteína
Pesquisa, genética e inovação impulsionam o Brasil à liderança mundial em soja
Foto: Thailine Fobrich/GCC

O Brasil consolidou uma vantagem importante na cadeia mundial da soja: análises recentes da Embrapa indicam que a soja produzida no país apresenta teor médio de aproximadamente 37 % de proteína, sendo que as empresas de melhoramento tem trabalhado para conseguir cultivares de soja cada vez mais produtivas e sadias e quando possível com teores maiores que os supracitados de proteína, sempre acompanhando o que está ocorrendo com os grandes concorrentes globais, Estados Unidos e Argentina. Esse diferencial, que coloca o país na liderança no mercado da soja, desperta o interesse de indústrias, traders e especialistas em nutrição animal.

O resultado não surge por acaso. Ele é reflexo de décadas de investimento em pesquisa, melhoramento genético, manejo, indicação de cultivares específicas para cada região e integração entre instituições como Embrapa, universidades, cooperativas e empresas do setor. Nesse contexto, a Expodireto Cotrijal se destaca como uma das principais vitrines tecnológicas onde o produtor tem acesso a cultivares com melhor desempenho em proteína e a práticas que ajudam a expressar esse potencial no campo.

A importância da proteína para o mercado

O teor de proteína é um dos fatores que tem tido relevância na definição do valor da soja. Para a indústria de esmagamento, o farelo com maior proteína aumenta a eficiência na formulação de rações e melhora o retorno econômico da produção animal. Entre compradores internacionais, especialmente na Ásia, soja com maior teor proteico recebe melhor classificação e, em alguns casos, prêmio comercial.

Além disso, o aumento da proteína impacta toda a cadeia: desde o produtor, que tem melhores perspectivas de comercialização, até a indústria, que entrega produtos de maior valor.

O que explica o teor alto de proteína na soja brasileira

O índice de 37 % é resultado de uma combinação de fatores:

  • Genética mais adaptada às condições tropicais e subtropicais
  • Programas de melhoramento focados em equilíbrio entre proteína e produtividade
  • Condições de solo favoráveis, especialmente em regiões de alta fertilidade natural
  • Manejo nutricional mais eficiente, com ênfase na disponibilidade de nitrogênio e enxofre
  • Adoção crescente de boas práticas agrícolas

Embora o teor varie conforme o clima, a região e o manejo, o Brasil mantém uma média estável e crescente, o que reforça sua posição no mercado global.

Para compreender como o país alcançou esse patamar, conversamos com o pesquisador da Embrapa Soja, Dr. Marcelo Alvares de Oliveira, que destaca a continuidade do trabalho científico como fator decisivo.

“A qualidade da soja brasileira é resultado de um trabalho de longo prazo. Há mais de 30 anos, a Embrapa, parceiros e demais obtentores vêm incorporando genes, ferramentas de seleção e tecnologias de manejo que permitiram aumentar o teor de proteína sem comprometer a produtividade.”

Segundo ele, a combinação entre genética avançada e manejo orientado tem sido determinante:

“O grande diferencial está no uso do melhoramento genético moderno, aliado ao manejo nutricional orientado por dados. A planta só expressa sua capacidade máxima quando as condições estão adequadas.”

O pesquisador também alerta para os desafios:

“Nosso principal desafio é conciliar qualidade com produtividade em ambientes climáticos cada vez mais instáveis. A remuneração por qualidade será essencial para estimular adoção de tecnologia.”

Rio Grande do Sul: qualidade como marca

O Rio Grande do Sul, mesmo não sendo o maior produtor nacional, tem papel relevante na qualidade da soja brasileira. A diversidade de microclimas, o uso intenso de rotação de culturas, o investimento em correção de solo e a proximidade entre pesquisa e produtor contribuem para índices proteicos competitivos.

Em várias regiões, especialmente no Alto Jacuí e no Planalto Médio, análises de safra mostram soja com excelente composição, valorizando o estado em mercados mais exigentes.

Brasil aposta em tecnologia para elevar qualidade e competir no mercado global

Segundo uma pesquisa recente da Embrapa, mercados compradores começam a valorizar cada vez mais a rastreabilidade e a qualidade bioquímica do grão, e o Brasil, apesar de ter conquistado relevância, precisa consolidar diferenciais diante da concorrência de países como Estados Unidos e Argentina.

No campo, produtores relatam resultados positivos com o uso de adubação equilibrada, biológicos, correções de solo e novas variedades adaptadas. Outro movimento crescente é a adoção de programas de monitoramento nutricional em tempo real, que orientam decisões a partir de dados e modelos preditivos.

Os avanços científicos, combinados à tecnologia embarcada, mostram que o país tem capacidade de liderar uma agenda global que une produção, sustentabilidade e qualidade nutricional.

A pesquisa destaca ainda, que para os próximos ciclos, duas agendas devem ganhar prioridade:

  • acesso a cultivares de alta qualidade em escala comercial
  • integração entre pesquisa, indústria e políticas públicas para transformar conhecimento em resultado na lavoura

Com expectativa de safra recorde e ambiente competitivo global, a elevação do teor de proteína surge como uma nova fronteira estratégica para o Brasil, capaz de gerar valor, abrir mercados e consolidar uma soja de alta performance.

A soja brasileira demonstra a força da pesquisa nacional e a capacidade de inovação da cadeia produtiva. A Expodireto Cotrijal reforça esse protagonismo ao aproximar ciência, mercado e produtor rural. Mantendo esse ritmo de evolução, o Brasil tem capacidade de ampliar sua competitividade global e agregar ainda mais valor ao seu principal produto agrícola.

Competitividade, valor e futuro

A soja brasileira é um dos exemplos mais expressivos de como ciência, inovação e mercado podem convergir em benefício de toda a cadeia produtiva. O desafio, agora, é ampliar a competitividade global, transformando o diferencial qualitativo em ganhos econômicos permanentes.

Segundo o pesquisador da Embrapa Soja, Dr. Marcelo Alvares de Oliveira,  menciona que o país tem condições de consolidar sua posição como referência mundial e liderar não apenas em volume, mas em valor agregado.

A sustentabilidade econômica do sistema, porém, dependerá de políticas públicas, incentivos comerciais e, principalmente, de um modelo de remuneração que reconheça e estimule a qualidade.