4º Fórum da Carne aborda projeções do mercado e utilização do sistema de integração lavoura-pecuária
11 de março de 2026
O cenário do agronegócio e a integração lavoura-pecuária foram os principais assuntos do 4º Fórum da Carne, realizado na tarde desta terça-feira, 10 de março, no Auditório da Produção na 26ª Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque/RS.
O evento foi realizado através da parceria entre Cotrijal, Cotripal e Instituto Desenvolve Pecuária. Estiveram presentes o vice-presidente da Cotrijal, Enio Schroeder, o diretor de Produção Pecuária da Cotripal, Roque Andreola e o presidente da Sicredi, Gervásio Jorge Diel. O Instituto foi representado pela presidente, Antonia Scalzilli e pelo presidente da Comissão de Relacionamentos Institucionais e Comerciais, João Gaspar de Almeida.
Durante a abertura, Schroeder destacou a relevância do evento para o fortalecimento da cadeia produtiva da pecuária. Segundo ele, encontros como esse são importantes para promover a troca de conhecimentos, discutir tendências e aproximar os diferentes elos do setor. Também ressaltou o papel das instituições na busca por soluções e no incentivo ao desenvolvimento da atividade.
Cenário e tendências
O fórum contou com a palestra “Agro 2025/2026, o que vem por aí””, ministrada pela jornalista e economista Kellen Severo. Ela falou sobre os impactos de questões geopolíticas, com tensões geradas principalmente pelos desacordos comerciais entre Estados Unidos e China. Severo entende que os conflitos entre países impactam diretamente o Brasil, já que a economia do país depende de importações e exportações. “As disputas entre os países são um fator considerável para a variação de preços em diversos produtos e, nesse contexto, os países buscam segurança alimentar, ou seja, o Brasil está diante de um horizonte de oportunidades”, explicou Kellen.
“Na prática, as tendências indicam crescimento para o milho e para a pecuária, enquanto a soja apresenta estimativa de recuo”, ressalta Severo. Ela complementa que “a valorização da proteína animal pode elevar os preços do boi gordo e do bezerro”. A jornalista também explicou que a variação de preços acompanha os ciclos naturais do mercado, marcados por períodos de alta e de baixa.
Segundo a jornalista, “o atual cenário é atrativo para investir em novas tecnologias para o setor. Ferramentas como IA, drones e robôs, já são uma realidade na pecuária de corte”. Outra tendência para o setor são iniciativas genéticas de combinação das raças.
Na sequência, com a palestra “Potencializando ganhos: a visão ecossistêmica na integração lavoura-pecuária”, o professor e pesquisador em Ecologia do Pastejo da UFRGS, Paulo Carvalho, abordou estratégias de manejo de pastagens, que permitem reduzir custos de produção sem comprometer a qualidade.
“O Rio Grande do Sul é privilegiado, já que tem as ferramentas a seu alcance. Porém, por ser um sistema mais complexo, muitos optam por não utilizar”, explica Carvalho.
Conforme pesquisas apresentadas pelo professor, a condição de integração entre pecuária e plantio tem apresentado resultados significativos. “Os resultados a longo prazo foram surpreendentes, com aumento gradual de nutrientes e produção durante os anos”, reforça. A tecnologia pode auxiliar o agricultor a proteger a produção e a diminuir riscos, mas é necessário avaliar as especificidades de cada propriedade.
Para finalizar, foram apresentados exemplos de propriedades rurais que utilizam o sistema de integração. A agrônoma e produtora rural, Ana Julia Lütkemeyer, apresentou o trabalho desenvolvido na Fazenda Santa Clara, em Ernestina/RS e o agrônomo Cassiano Pillat, demonstrou a metodologia utilizada na Agropecuária Pai e Filho, de Jóia/RS.
Fonte: Assessoria Expodireto Cotrijal