Solidariedade que salva vidas: família autoriza doação de órgãos no HCC
04 de março de 2026
Na manhã de terça-feira (3), o Hospital de Clínicas de Carazinho (HCC) viveu mais um momento de profunda emoção, marcado pela solidariedade e pela esperança. Em meio à dor da despedida, a família de um paciente com diagnóstico de morte encefálica tomou uma decisão que transforma perdas em novos começos: autorizou a doação de órgãos, oferecendo a outras pessoas a chance de reescrever suas histórias.
Para a realização do delicado procedimento, profissionais da Organização de Procura de Órgãos 7 (OPO7), vinculada à Central Estadual de Transplantes, deslocaram-se até Carazinho e atuaram em parceria com a equipe do HCC. O doador, um homem de 75 anos, residente no município, teve como causa da morte um Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico. Foram captados os rins e o fígado.
A gerente de Enfermagem do HCC, enfermeira Emanuela Negri, explica que o processo de doação de órgãos segue uma série de etapas rigorosas e fundamentais. “Tudo começa com a confirmação do diagnóstico de morte encefálica. Depois, enfrentamos o momento mais sensível de todo o processo, que é a conversa com a família, que precisa lidar com a dor da perda e, ao mesmo tempo, refletir sobre a possibilidade da doação”, destaca.
Com a autorização familiar, entra em ação uma equipe multidisciplinar composta por profissionais da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), do Centro Cirúrgico e da OPO, que atuam com técnica, ética e profundo respeito. Após a captação, os órgãos são encaminhados para hospitais de referência indicados pela Central de Transplantes, onde aguardam os pacientes receptores.
Segundo a Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT) do HCC, um único doador pode beneficiar até oito pessoas. Além dos protocolos técnicos, o processo exige sensibilidade humana. Por trás de cada doador existe uma história, uma família e um gesto de amor imensurável. O papel da equipe é garantir que essa decisão seja respeitada e transformada em esperança para outras famílias.
O médico nefrologista do HCC, Darlan Martins Lara, ressalta que todo o processo de doação é marcado por grande complexidade técnica e emocional. “O momento da doação é muito delicado, complexo e, ao mesmo tempo, mágico. Para a equipe da UTI e para toda a equipe assistencial, é um grande desafio cumprir todas as etapas do protocolo e atender às exigências específicas de cada órgão”, explica.
Segundo o médico, manter o potencial doador exige atenção redobrada, já que se trata de um paciente em morte encefálica, com importantes alterações na regulação cerebral. “Muitas dessas regulações se perdem, e é necessário adotar cuidados diferentes para preservar adequadamente cada órgão, garantindo que eles possam ser utilizados para transplantes”, completa.
Outro ponto destacado pelo doutor é a relação com a família do doador. “A família que autoriza a doação está devastada com uma notícia trágica, com a perda de um ente querido, e ainda assim exerce um ato de bondade e de ressignificação extremamente relevante, ao permitir que outras vidas sejam salvas”, afirma.
Para ele, o momento da captação também representa um marco para a instituição e para os profissionais envolvidos. “Quando a equipe de captação chega e todo o protocolo foi cumprido, esse momento coloca o hospital dentro de um contexto de excelência, capaz de manter adequadamente os órgãos para transplante. Isso é muito significativo para a equipe, para a CIHDOTT e para o HCC como um todo”, ressalta.
O médico ainda lembra que o HCC conta com o Serviço de Hemodiálise, onde diversos pacientes aguardam na fila por um transplante renal. “Quando a fila anda, esses pacientes também são diretamente beneficiados. Tivemos, inclusive, um paciente da nossa região, atendido pelo serviço, que foi transplantado no início deste ano. São situações assim que renovam esperanças, motivam as equipes e fazem todo o nosso trabalho valer a pena”, conclui.
Como cada pessoa pode ajudar
Converse sobre o assunto: manifeste em vida o desejo de ser doador de órgãos.
Avise sua família: a decisão final sempre cabe aos familiares após a confirmação da morte encefálica.
Uma decisão que inspira
Referência em saúde para 59 municípios da região, o Hospital de Clínicas de Carazinho reafirma, com ações como esta, seu compromisso com a vida e com a conscientização sobre a importância da doação de órgãos.
Em meio à tristeza, uma família escolheu transformar sua perda em luz para outras pessoas. Um gesto de coragem, empatia e amor que merece ser lembrado — porque doar é semear vida onde antes existia apenas despedida.
Fonte: Ascom/HCC.