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Conselho Nacional de Justiça mantém afastamento de desembargador que absolveu homem por estupro

Brasil

04 de março de 2026

Conselho Nacional de Justiça mantém afastamento de desembargador que absolveu homem por estupro
Magistrado é investigado por denúncias de crimes contra a dignidade sexual após decisão polêmica.
Foto: Divulgação/TJMG

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) manteve, nesta terça-feira (3), o afastamento do desembargador Magid Nauef Láuar, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. A decisão foi confirmada durante sessão extraordinária, no julgamento de uma Reclamação Disciplinar instaurada após denúncias de crimes contra a dignidade sexual.

O magistrado já havia sido afastado no fim de fevereiro por determinação da Corregedoria Nacional de Justiça. A medida inicial ocorreu no âmbito de um Pedido de Providências aberto em 21 de fevereiro para apurar a atuação do desembargador em uma ação criminal que resultou na absolvição de um homem de 35 anos acusado de estupro de vulnerável contra uma criança de 12 anos.

O caso provocou forte repercussão pública e levantou questionamentos sobre a fundamentação da decisão judicial, com menções à hipótese de teratologia — termo utilizado quando uma decisão é considerada manifestamente contrária ao ordenamento jurídico.

No decorrer das apurações, surgiram relatos que indicam possível prática de crimes contra a dignidade sexual atribuídos ao magistrado, supostamente ocorridos quando ele atuava como juiz nas comarcas de Ouro Preto e Betim, em Minas Gerais.

O presidente do CNJ, ministro Edson Fachin, informou que a restrição de acesso ao plenário e a interrupção da transmissão online da sessão tiveram como objetivo preservar a intimidade das supostas vítimas e resguardar informações sensíveis. Segundo ele, embora a publicidade seja a regra nos julgamentos, a legislação prevê exceções em situações que envolvam a proteção de direitos fundamentais, como a privacidade.

A confirmação do afastamento cautelar foi decidida em sessão reservada, a pedido do relator do caso, o corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques.

A Corregedoria Nacional de Justiça instaurou processo administrativo disciplinar para investigar as denúncias. Até o momento, o CNJ colheu cinco depoimentos de pessoas que acusam o desembargador de abuso sexual.

Caso as acusações sejam confirmadas ao fim do processo, o magistrado poderá ser punido com aposentadoria compulsória com vencimentos proporcionais, considerada a sanção administrativa mais severa prevista na Lei Orgânica da Magistratura.

Fonte: Redação O Sul