Segunda-feira, 02 de Março de 2026

Segunda-feira
02 Março 2026

Tempo agora

Tempo limpo 28
Tempo limpo 32°C | 15°C
Tempo limpo
Ter 03/03 36°C | 16°C
Chuva
Qua 04/03 37°C | 19°C

Petróleo e gás disparam e bolsas operam em queda após ataques no Irã

Mundo

02 de março de 2026

Petróleo e gás disparam e bolsas operam em queda após ataques no Irã
Conflito regional afeta o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz
Foto : FADEL SENNA / AFP

Os preços do petróleo e do gás disparam e as Bolsas operam em queda nesta segunda-feira (2). Isso ocorre em consequência do conflito no Oriente Médio, desencadeado pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, e a resposta de Teerã.

Nas Bolsas, o principal afetado é o setor aéreo e de turismo, cujas empresas registram quedas expressivas. O preço do barril de Brent chega a operar em alta de quase 14%, enquanto o do West Texas Intermediate sobe 12% na abertura dos mercados.

Impacto no transporte marítimo

O ataque que matou o guia supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, e outros dirigentes do país. O conflito regional afeta o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, por onde transita quase 20% do petróleo mundial.

O Brent, referência internacional do petróleo, já havia incorporado progressivamente um valor de risco geopolítico até chegar a 72 dólares na sexta-feira. Esse valor está distante dos 61 dólares do início do ano.

Às 8h15, o barril de Brent do Mar do Norte sobe 9,7%, a 79,95 dólares. O WTI americano avança 9%, a 73,04 dólares.

O preço do gás europeu dispara mais de 20%, já que a guerra coloca em risco as exportações de gás natural liquefeito do Golfo. Em particular, as vendas do Catar estão sob ameaça.

Às 8h, o contrato futuro do TTF holandês, considerado a referência europeia, opera em alta de mais de 20%. Ele avançou 22%, a 38.885 euros, um preço ainda assim inferior ao registrado em janeiro devido a uma onda de frio.

Bolsas globais em queda

Quase todas as Bolsas na Ásia fecham em queda: Tóquio perde 1,4% e Hong Kong recua 2,1%. A única exceção no continente é a Bolsa de Xangai, que termina a sessão com leve alta de 0,5%.

Na Europa, os mercados também abrem em baixa: às 8h05, Paris perde 1,96%, Frankfurt 1,99%, Milão 2,13%, Londres 0,55% e Madri 2,58%.

O grande prejudicado é o setor aéreo e de turismo. As companhias aéreas japonesas ANA e JAL perdem mais de 5%, a franco-holandesa AirFrance-KLM recua 7,24% e a alemã Lufthansa, 5,77%.

As empresas de energia seguem a tendência oposta, com fortes ganhos na abertura das Bolsas europeias. Shell (5,32%), BP (4,70%), Repsol (4,29%) e TotalEnergies (3,97%) se destacam.

Barreira dos 100 dólares

Após o ataque de domingo a vários navios na região do Golfo, a Organização Marítima Internacional (OMI) pede às empresas de navegação que “evitem” a região. O preço dos seguros torna-se proibitivo.

As principais empresas confirmam a suspensão da passagem de seus navios pelo Estreito de Ormuz. Em teoria, os países importadores de petróleo dispõem de reservas.

Os membros da OCDE devem manter 90 dias de estoques de petróleo bruto, mas não se descarta que os preços superem os 100 dólares. “Em caso de uma interrupção prolongada do abastecimento através de Ormuz, o petróleo bruto poderia subir rapidamente para 100 dólares por barril (…).”, afirma o Eurasia Group.

Isso ocorreria “em particular se ocorressem ataques contra as instalações petrolíferas da região”. A última vez que os preços do petróleo superaram os 100 dólares foi no início da guerra na Ucrânia, de modo simultâneo com os preços do gás. Isso contribuiu para um ciclo inflacionista prolongado.

Em resposta à guerra no Irã, Arábia Saudita, Rússia e outros seis membros da Opep+ aumentam no domingo suas cotas de produção de petróleo em 206 mil barris por dia para o mês de abril, um volume superior ao previsto.

Ouro em alta e inflação

O encarecimento do petróleo pode alimentar fortes pressões sobre a inflação e abalar a conjuntura econômica. “A geopolítica e a situação relativa ao Irã, aos Estados Unidos e ao Oriente Médio em sentido amplo dominarão os mercados financeiros nesta segunda-feira”, confirma Kathleen Brooks, da corretora XTB.

O ouro, um ativo-chave em tempos turbulentos, sobe 2% e o dólar também registra uma valorização. “Enquanto os Estados Unidos deslocavam tropas, aviões e navios de guerra para a região nas últimas semanas, os metais preciosos já vinham se recuperando”, afirma Brooks.

“O ouro e a prata avançaram, respectivamente, 3,3% e 10,8% na semana passada”, completou. “Os metais preciosos continuam brilhando como reserva de valor”, diz.

Fonte: Correio do Povo