Demanda por noz-pecã favorece recuperação da produtividade em 2025/26
22 de fevereiro de 2026
Em 2026, o Brasil deve colher cerca de sete mil toneladas de noz-pecã, segundo o IBPecan (Instituto Brasileiro de Pecanicultura). De acordo com a avaliação do instituto, a entrada de novas áreas de produção e a elevada carga de frutos nos pomares são fatores que impulsionam a produtividade no setor.
As expectativas do setor são de uma safra melhor que a de 2025, que foi pouco produtiva devido aos reflexos das enchentes de 2024. A produção, segundo o IBPecan, está chegando a um volume semelhante ao de 2023, próximo de 7 mil toneladas, com perspectivas de ultrapassar esse número.
Carlos Martins, pesquisador da Embrapa, destaca questões climáticas e de adaptação de manejo como desafios recorrentes para a produtividade. “Adversidade climáticas e desafios com relação ao manejo tem sido a principal dificuldade para o produtor. Essas dificuldades provocam perdas de produtividade e implicam a necessidade de adequação a cuidados essenciais à nogueira-pecã”, disse à CNN Brasil.
Apesar do aumento na produtividade, o mercado estima preços semelhantes ao ciclo anterior. A demanda externa somada à abertura de novos mercados pode sustentar os preços semelhantes a 2025, em especial para os lotes de melhor qualidade.
Martins também lembra os benefícios para a saúde que motivam a produção da fruta. “A demanda doméstica e, principalmente global pela noz-pecã, é o que impulsiona sua produção. Benefícios nutricionais colaboram para o avanço do cultivo com novos desenvolvimentos tecnológicos”, destacou.
A noz-pecã possui benefícios à saúde e qualidade de vida que geram aumento de demanda e qualidade das frutas para abastecimento em nível mundial. A prevenção de doenças cardiovasculares, cânceres e diabetes, por exemplo, é uma comprovação científica pela presença de substâncias como ácidos graxos, compostos aminoácidos, vitamina E e outros.
“Nos últimos três anos, empresas e novos investidores passaram a observar com mais atenção as possibilidades de exportação, porque o preço de referência(o da noz norte-americana) está em um patamar interessante.” explicou o presidente da IBPEcan, Claiton Wallauer.
Segundo Wallauer, o mercado interno não deve sofrer com a volatilidade de preços observada em outros momentos de safra cheia por conta de um mecanismo de proteção de produtores e investidores. O presidente da entidade destaca que Estados Unidos e México não conseguiram formar estoques de passagem relevantes, o que mantém o mercado mais aquecido.
Condições climáticas
Os bons números da atual safra acontecem durante uma situação climática atípica de chuvas acima da média histórica desde a última primavera, o que prejudica a produção nos pomares.
“A combinação entre alta umidade e temperaturas elevadas tem aumentado a incidência de problemas fitossanitários nos pomares, com registros pontuais de doenças e queda de frutos”, explicou o coordenador técnico do IBPecan, Jaceguáy Barros.
A previsão é que fevereiro continue sem volumes significativos de chuva, mas que março e abril sejam meses carregados. Esses meses devem apresentar chuvas irregulares e temperaturas ligeiramente superiores à média histórica.
“Quando as chuvas ficam entre 25 e 30 milímetros, o produtor pode suspender a irrigação por um ou dois dias, mas precisa retomar rapidamente para que o enchimento dos frutos ocorra de forma adequada”, explicou Jaceguáy Barros.
Tecnologia e produtividade
Segundo o coordenador-técnico do instituto, os produtores ainda sofrem com limitações técnicas: ”O crescimento do porte das árvores exige equipamentos mais potentes para garantir cobertura adequada, e ainda existem limitações tanto nos planos fitossanitários quanto nos equipamentos disponíveis para alcançar pomares mais desenvolvidos”.
Atualmente, a pesquisa acompanha pomares com diferentes níveis tecnológicos para medir a produtividade. Aqueles com maiores cuidados, administração especializadas e comprometimento, apresentam, segundo o pesquisador, elevados níveis de produtividade.
Conhecida mundialmente por ter um sabor doce, amanteigado e crocante, a expectativa de crescimento da produtividade e área plantadas se apoia na demanda comercial doméstica e internacional, que cresce exponencialmente.
A noz-pecã pode ser consumida in natura ou processada, quando compõe outros produtos como bolos, tortas, iogurtes, sorvetes e até farinha de noz-pecã. Para a indústria, a fruta pode ser tostada, salgada, revestida com açúcar, dentre outros usos.
Fonte: CNN Brasil