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Ex-vereadora e diretora estadual é vítima de feminicídio em Nova Prata

Polícia

21 de fevereiro de 2026

Ex-vereadora e diretora estadual é vítima de feminicídio em Nova Prata
Ex-vereadora e diretora administrativa deixa um filho de 26 anos, e construiu uma sólida carreira na política
Foto: Diário de Santa Maria

Corajosa, prestativa, determinada e atenciosa: esses são os adjetivos associados à ex-vereadora e diretora administrativa Roseli Vanda Pires Albuquerque, de 47 anos, que foi assassinada pelo ex-marido, Ari Albuquerque, na madrugada deste sábado em Nova Prata, na Serra gaúcha. Deixando um filho de 26 anos, Roseli, que é natural de Paraí, foi vereadora, candidata a vice-prefeita do município nas eleições de 2024, e era, atualmente, diretora da Secretaria de Esporte e Lazer do Rio Grande do Sul, com uma sólida carreira consolidada no poder público e na política.

Sempre ativa nos assuntos relacionados ao trabalho político, Roseli trabalhou em diferentes causas. “Em todas as pautas que ela entrava, ela entrava de cabeça”, disse o ex-deputado federal pelo Partido Social Democrático (PSD), Danrlei de Deus. Com quem conviveu durante, pelo menos, 12 anos – Roseli atuou como assessora parlamentar de Danrlei –, eles sempre mantiveram a proximidade. Inclusive, esteve junto à candidatura de deputado estadual. Segundo ele, o convívio com Roseli ultrapassava o trabalho.

Roseli teve dois mandados: em 2016 e 2020, na Câmara de Nova Prata. Ela foi a vereadora mais votada do município, em nome do Partido Social Democrático (PSD). Também concorreu como deputada estadual, em 2022, e vice-prefeita de Nova Prata, em 2024.

Se puder destacar uma característica nela, a palavra é coragem. “De pegar seja lá qual pauta, às vezes até pautas mais complicadas, que a gente dizia, ‘Roseli, vai com calma’. Ela sempre teve muita coragem para tudo. Para bater de frente, para para ir atrás daquilo que era necessário, para que as coisas acontecessem. Sempre teve essa coragem de ir atrás, de trabalhar, de conseguir”, complementa.

Roseli também auxiliou em pautas voltadas a direitos às pessoas atípicas, e para as pessoas com Transtorno do Espectro Audista (TEA), com promoção de programas voltadas às crianças atípicas no esporte, por exemplo. “Como ela era uma mãe atípica, a gente estava trabalhando nisso. O casamento do filho dela ia ser o primeiro casamento de dois jovens atípicos do Estado. Eu estava muito feliz com isso. A gente tava trabalhando essas pautas junto, ela me dando muitas diretrizes”, relata Danrlei. Outra pauta trabalhada em conjunto e defendida era voltada ao acesso a esporte para idosos para uma melhor qualidade de vida.

“Pelo trabalho dela, pelo profissionalismo, ela veio para a Secretaria do Esporte por nossa indicação. Trabalhou no gabinete um tempo também uma pessoa que, cara, sempre, sabe quando a gente quer perto por por tudo, todos motivos possíveis”, relata.

Ele afirma que se conhecem desde o nascimento do PSD, quando Roseli decidiu se envolver mais na política. “A gente sabe da importância de ter mulheres na política, de ter mulheres que querem realmente estar na política e fazer diferença. Desde ali, a gente se deu muito bem”, disse Danrlei.

Danrlei ainda está processando a partida de Roseli. “Parece que ainda não caiu essa ficha. É algo que eu não quero acreditar ainda”, diz.

O que se sabe sobre o caso

O crime ocorreu na avenida Presidente Vargas, área central de Nova Prata, por volta das 3h30min. Segundo a Brigada Militar, a mãe da vítima acionou a 3ª Companhia Independente de Polícia Militar após receber uma mensagem dela no WhatsApp. Uma guarnição foi enviada ao apartamento onde ela morava, encontrando os corpos dentro do imóvel.

De acordo com a investigação, o casal permaneceu unido por quase 30 anos, mas estava separado há cerca de seis meses. Não havia registros de medida protetiva de urgência entre as parte. A Polícia Civil apura o caso como feminicídio seguido de suicídio.

Fonte: Correio do povo