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Brasil continua mal em índice global de corrupção

Brasil

12 de fevereiro de 2026

Brasil continua mal em índice global de corrupção
Na comparação internacional, o Brasil aparece ao lado de países como Sri Lanka, também com 35 pontos, e atrás de Argentina, Belize e Ucrânia.
Foto: Freepik

O Brasil repetiu, em 2025, a segunda pior pontuação de sua série histórica no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), conforme relatório divulgado pela Transparência Internacional. O país manteve 35 pontos em uma escala que vai de 0 a 100 — quanto menor a nota, maior a percepção de corrupção — e permaneceu na 107ª posição entre 182 países e territórios avaliados.

O resultado indica estagnação em relação a 2024, quando o Brasil havia registrado 34 pontos. Segundo a entidade, a variação de um ponto não é estatisticamente significativa e mantém o país abaixo da média global e da média das Américas, ambas fixadas em 42 pontos.

O IPC é considerado o principal indicador mundial sobre corrupção no setor público. O índice é elaborado a partir da consolidação de até 13 fontes independentes, que reúnem avaliações de especialistas, pesquisadores e executivos sobre a percepção de práticas corruptas e a efetividade dos mecanismos de controle.

Na comparação internacional, o Brasil aparece ao lado de países como Sri Lanka, também com 35 pontos, e atrás de Argentina, Belize e Ucrânia, que alcançaram 36. No topo do ranking estão Dinamarca (89 pontos), Finlândia (88) e Cingapura (84). Já Somália e Sudão do Sul ocupam as últimas posições, com 9 pontos cada.

De acordo com a Transparência Internacional, o desempenho brasileiro reflete um cenário marcado por casos de macrocorrupção e fragilidades institucionais persistentes. “Embora o Brasil tenha chamado a atenção internacional pela resposta firme do Supremo Tribunal Federal na responsabilização de envolvidos em atentados contra a democracia, o país também chocou o mundo com escândalos de corrupção em escala inédita e episódios de impunidade”, afirmou o diretor executivo da entidade no Brasil, Bruno Brandão.

Paralelamente ao IPC, a organização divulgou o relatório “Retrospectiva 2025”, que aponta o avanço da infiltração do crime organizado no Estado, especialmente por meio de esquemas de corrupção no sistema financeiro e na advocacia. O documento cita investigações sobre desvios de emendas parlamentares, fraudes no INSS e o caso do Banco Master, apontado como a maior fraude bancária já registrada no país.

O relatório reconhece avanços pontuais, como o uso ampliado de inteligência financeira no combate à lavagem de dinheiro, mas critica a resposta do governo federal a determinados escândalos, classificada como tardia e politicamente controversa.

Diante do cenário, a Transparência Internacional apresentou recomendações aos três Poderes. Ao Executivo, sugere fortalecer critérios de integridade na nomeação de altos cargos, ampliar a transparência de agências regulatórias e investigar indícios de irregularidades na distribuição de emendas parlamentares, especialmente em órgãos com histórico de problemas. Também defende que eventuais renegociações de acordos de leniência sigam critérios técnicos e garantam transparência.

Ao Congresso Nacional, recomenda a instalação de uma CPMI para apurar o caso Banco Master, a solicitação formal de informações ao STF e ao Banco Central sobre o inquérito relacionado ao banco e a avaliação de medidas para prevenir conflitos de interesse em tribunais superiores.

Ao Ministério Público, a entidade propõe a abertura de verificações preliminares sobre possíveis conflitos de interesse envolvendo operações financeiras ligadas ao caso, a defesa de acordos de colaboração e o cumprimento do teto constitucional remuneratório.

Por fim, ao Judiciário, recomenda a adoção de um Código de Conduta no Supremo Tribunal Federal, maior transparência de agendas e viagens, o cumprimento do teto salarial, a redistribuição do caso Banco Master a outro ministro e a manutenção do combate a práticas consideradas inconstitucionais na distribuição de emendas parlamentares.

Fonte: Redação O Sul