Atividade de MEI cresce e se transforma no RS
09 de fevereiro de 2026
Enquanto os índices de emprego formal sugerem uma economia relativamente estável, outro movimento silencioso ganha força e transforma a maneira como o trabalho é entendido no Rio Grande do Sul. O microempreendedorismo individual, ou o MEI, nos últimos anos se consolidou como uma alternativa estratégica para quem deseja complementar renda, testar negócios ou conquistar autonomia profissional. De acordo com dados da Junta Comercial, em 2025 foram formalizados 298.677 MEIs no Estado, um avanço de mais de 21% em relação a 2024.
Por outro lado, 186 mil empresas encerraram atividades. O saldo, entretanto, é positivo: 112.092 negócios ativos a mais do que no ano anterior, quase 18% de crescimento. Por que esse fenômeno ocorre em um momento tão benéfico, com a queda no desemprego batendo recorde, a uma taxa de 5,1%, menor patamar desde 2012?
Os números não refletem só estatísticas frias, narram transformação. O MEI deixou de ser apenas porta de saída para aqueles que não encontram emprego formal e se tornou via de autonomia, planejamento e oportunidade. Hoje, trabalhadores formam um mosaico: alguns buscam complementar renda, equilibrar o orçamento ou manter uma atividade produtiva paralela. A dinâmica reflete também no próprio ritmo de abertura e fechamento de empresas. Embora o número de extinções tenha crescido 23% em 2025, o saldo líquido positivo indica que o movimento geral é de expansão.
O fato não se concentra apenas em Porto Alegre. A Capital responde por 17% das novas empresas, enquanto o movimento se espalha por cidades médias e pequenas, sobretudo onde serviços de proximidade e comércio local são pilares da economia. Para muitos, se registrar como MEI é oportunidade de formalizar a atividade que antes permanecia à margem da economia, permitindo emitir notas fiscais, acessar crédito e benefícios previdenciários. Para a especialista em Microempreendedorismo Individual do Sebrae RS, Giulia Mattos, o avanço dos MEIs é menos um fenômeno conjuntural e mais um sinal de transformação estrutural. “Estamos falando de mudança profunda nas relações de trabalho. O MEI, apesar de relativamente jovem, com cerca de 20 anos, deixa de ser apenas instrumento de inclusão social e passa a ocupar espaço estratégico na economia”, conclui.
Benefícios e flexibilidade
Giulia Mattos, enfatiza que a decisão entre permanecer no emprego formal ou empreender deixou de ser simplesmente automática. “Nem toda a vaga formal é, de fato, atrativa. O trabalhador avalia salário, benefícios, carga horária, flexibilidade e até a carga tributária”, assinala.
“O MEI entra nessa equação como uma alternativa possível, seja como renda complementar, seja como escolha principal”, observa ainda a especialista. O próprio Sebrae dá dicas e orientações para que o microempreendedor individual desenvolva seu projeto de forma mais organizada e segura, o que auxilia no sucesso.
Empresas nascem e se encerram em resposta às demandas do mercado, às mudanças no comportamento do consumidor e às oportunidades em diferentes setores, mas o balanço final mostra uma economia que se renova, ajustando rotas. Além de movimentar a economia, o MEI se tornou um instrumento de inclusão produtiva. Pessoas que antes atuavam no mercado informal, sem acesso a direitos básicos, agora podem formalizar suas atividades, construir um histórico empresarial e planejar crescimento.
A formalização oferece acesso a contas especiais, linhas de crédito, emissão de notas fiscais e cobertura previdenciária, consolidando o reconhecimento do trabalhador como empresário e fortalecendo sua autonomia financeira, além de ser simples e de baixo custo, mas exige planejamento e conhecimento sobre obrigações fiscais, previdenciárias e administrativas.
Muitos novos microempreendedores ainda se surpreendem com responsabilidades e prazos, o que pode gerar inadimplência ou dificuldades na gestão de contratos e contas bancárias. Por isso, o acompanhamento de uma consultoria pode ajudar. E há auxílios gratuitos.
DICAS
- Para ser MEI o faturamento anual deve ser de no máximo R$ 144 mil, com até um empregado.
- O registro que formaliza o negócio é feito no portal do governo federal (gov.br), acessado com login e senha.
- O portal gera automaticamente CNPJ, inscrição na Junta Comercial e alvará simplificado.
- O DAS é pago mensalmente. Um valor fixo que cobre INSS e tributos.
- É importante organizar finanças e emitir notas e, mesmo sem contador, registrar entradas e saídas. Emitir nota é gratuito.
- Usar os recursos como participar de cursos, consultorias e orientações oferecidas por órgãos de apoio ao empreendedor ajuda a desenvolver o trabalho.
- Evitar misturar dinheiro pessoal e dos negócios melhora a organização financeira. É preciso também planejar pagamentos, anotar as datas do DAS, fornecedores e impostos.
- O uso de ferramentas como planilhas, aplicativos de controle ou agendas ajuda a organizar as tarefas. É importante também revisar as metas e o faturamento mensalmente.
Fonte: Correio do Povo