Brasil terá 781 mil novos casos de câncer por ano, segundo Inca
04 de fevereiro de 2026
O Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, segundo estimativa divulgada nesta quarta-feira (4) pelo Inca (Instituto Nacional de Câncer), no Dia Mundial do Câncer.
O número representa um aumento de aproximadamente 10,9% em relação à estimativa anterior, que previa 704 mil casos anuais no triênio 2023–2025.
Os dados foram apresentados durante o lançamento da publicação “Estimativa 2026–2028: incidência de câncer no Brasil”, realizado no Rio de Janeiro, com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
O material reúne dados que orientam o planejamento de políticas públicas, ações de prevenção, diagnóstico e atenção oncológica no país.
Segundo o Inca, o câncer de pele não melanoma segue como o mais incidente no país, respondendo por 33,7% dos casos. Na sequência aparecem câncer de mama feminina (15,18%), próstata (15,05%), cólon e reto (10,39%), traqueia, brônquio e pulmão (6,83%) e estômago (4,35%).
Durante o evento, o ministro Alexandre Padilha destacou a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.
“A vitória de um paciente contra o câncer estimula outras pessoas aos atos de prevenção e ao diagnóstico precoce”, afirmou.
Diferenças por região
O relatório também aponta diferenças regionais na incidência da doença.
No Norte, os tipos mais frequentes são mama feminina (31,28%), colo do útero (22,79%), cólon e reto (8,72%), traqueia, brônquio e pulmão (7,66%) e estômago (6,83%).
No Nordeste, predominam mama feminina (58,02%), colo do útero (20,76%), cólon e reto (14%), glândula tireoide (13,98%) e traqueia, brônquio e pulmão (11,79%).
No Centro-Oeste, os principais registros são de mama feminina (61,32%), cólon e reto (21,68%), colo do útero (19,58%), traqueia, brônquio e pulmão (12,85%) e glândula tireoide (12,51%).
No Sudeste, a maior incidência é de mama feminina (88,29%), seguida por cólon e reto (33,55%), traqueia, brônquio e pulmão (16,74%), glândula tireoide (14,25%) e colo do útero (14,06%).
Já no Sul, aparecem mama feminina (77,91%), cólon e reto (32,57%), traqueia, brônquio e pulmão (22,35%), colo do útero (17,72%) e pâncreas (9,17%).
Prevenção e fatores evitáveis
Segundo estudos da OMS (Organização Mundial da Saúde), cerca de 40% dos casos de câncer no mundo estão associados a fatores de risco evitáveis, dado que também se aplica à realidade brasileira.
Para Carlos Gil Ferreira, diretor médico da Oncoclínicas&Co. e presidente do Instituto Oncoclínicas, muitos dos tumores mais incidentes no país poderiam ser prevenidos.
“O tabagismo continua sendo uma catástrofe de saúde pública. Apesar dos avanços nas campanhas e das restrições ao fumo, agora temos uma nova ameaça: o cigarro eletrônico, que vem ganhando terreno especialmente entre os jovens.”
As infecções, segundo maior fator de risco global, também representam um desafio, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. O câncer de colo do útero, por exemplo, tem mais de 90% dos casos associados ao HPV.
“Temos um programa nacional de imunizações bem estruturado, mas é preciso ampliar a cobertura da vacina contra o HPV, com investimento, logística eficiente e combate à desinformação”, afirma Carlos Gil.
Entre as principais recomendações de prevenção estão a prática regular de exercícios físicos, alimentação saudável com menor consumo de ultraprocessados, manutenção do peso adequado, evitar álcool e tabaco, proteção solar, vacinação contra HPV e hepatite B e realização de exames preventivos conforme orientação médica.
“A detecção precoce continua sendo nossa melhor arma. Um câncer diagnosticado no início tem muito mais chances de cura e exige tratamentos menos agressivos. Mas o ideal é que esses cânceres simplesmente não aconteçam. O relatório do Inca e os estudos da OMS mostram que isso é possível em uma proporção significativa dos casos”, conclui Carlos Gil Ferreira.
Fonte: CNN