Ucrânia e Rússia continuarão negociações com EUA após diálogos “construtivos” em Abu Dhabi
24 de janeiro de 2026
Ucrânia e Rússia concordaram neste sábado (24), em Abu Dhabi, em continuar as negociações com a participação dos Estados Unidos, após um dia de conversas em um “clima construtivo”.
Em uma mensagem na rede X, o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, afirmou que “muitos assuntos foram discutidos e é importante que as conversas tenham sido construtivas”. As negociações, acrescentou o presidente ucraniano, serão retomadas “possivelmente a partir da próxima semana”.
Pouco depois do encerramento da sessão deste sábado em Abu Dhabi, um porta-voz do governo dos Emirados Árabes Unidos afirmou que as conversas ocorreram em um “clima construtivo e positivo”, sem fornecer mais detalhes.
As negociações começaram na sexta-feira na capital emiradense e, até o momento, nenhum detalhe substancial foi divulgado sobre qualquer progresso alcançado ou questões pendentes.
A Ucrânia denunciou os bombardeios russos durante a noite, que deixaram pelo menos um morto e 27 feridos, antes do segundo dia de negociações em Abu Dhabi. “Seus mísseis não atingem apenas pessoas, mas também a mesa de negociações”, acrescentou.
Mesmo antes do início das negociações trilaterais, a Rússia já havia deixado claro que considera essencial a retirada das tropas ucranianas da região do Donbass. “Ainda é muito cedo para tirar conclusões”, disse Zelensky ao final das primeiras discussões na sexta-feira.
Estas são as primeiras negociações diretas conhecidas entre Moscou e Kiev sobre o plano proposto pelos Estados Unidos para encerrar o conflito, que já deixou dezenas de milhares de mortos desde 2022. A delegação russa é chefiada pelo general Igor Kostiukov, chefe do serviço de inteligência militar (GRU).
Os Estados Unidos são representados pelos enviados Steve Witkoff e Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump.
“Abandonar o Donbass”
As negociações ocorrem em um contexto difícil para a Ucrânia, cuja rede energética foi severamente afetada por uma série de ataques russos que causaram extensos cortes de energia e calefação em meio a temperaturas congelantes, particularmente em Kiev.
Os bombardeios intensos deixaram pelo menos um morto e 27 feridos na capital e em Kharkiv, no nordeste do país, na madrugada deste sábado.
Fonte: Correio do povo