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Uso de IA por jovens para saúde mental pode levar a dependência e solidão

Saúde

20 de janeiro de 2026

Uso de IA por jovens para saúde mental pode levar a dependência e solidão
Foto: Freepik

Cada vez mais presentes no cotidiano, as ferramentas de inteligência artificial generativa — capazes de criar textos, imagens e vídeos — vêm ganhando novos usos que vão além da produtividade e do entretenimento. Entre adolescentes, essas plataformas passaram a ocupar um papel sensível: o de confidente emocional, o que acende um alerta para a saúde pública, especialmente em relação à solidão juvenil.

Um estudo publicado no final de 2025 no periódico BMJ aponta que plataformas como ChatGPT, Claude e Gemini estão sendo usadas como espaços de interação social. De acordo com a pesquisa, um terço dos adolescentes utiliza IA para conversar e um em cada dez afirma que as interações com chatbots são mais satisfatórias do que as mantidas com pessoas reais.

Especialistas alertam para o risco de dependência emocional e para a substituição de vínculos humanos por relações mediadas por tecnologia. Apesar de simularem empatia, esses sistemas não possuem capacidade real de cuidado, sintonia emocional ou reciprocidade — elementos essenciais nas relações humanas.

“Estamos o tempo todo com a possibilidade de nos conectar, mas muitas dessas conexões acabam sendo superficiais”, observa o médico psiquiatra Daniel de Paula Oliva, do Espaço Einstein Bem-estar e Saúde Mental, do Hospital Israelita Albert Einstein.

Realidade brasileira amplia preocupação

No Brasil, o cenário preocupa ainda mais diante das dificuldades de acesso a serviços de saúde mental. Uma pesquisa da Cisco, em parceria com a OCDE, mostra que o País é o segundo que mais utiliza IA generativa no mundo, com adesão de 51,6% da população, atrás apenas da Índia. O levantamento ouviu mais de 14 mil pessoas em 14 países.

Segundo especialistas, embora a IA possa auxiliar na redução de sintomas de ansiedade e depressão em contextos controlados, seu uso frequente pode levar a relacionamentos quase-pessoais, conforme descreve o estudo do BMJ. A fluidez da linguagem e a disponibilidade constante induzem o cérebro a humanizar a tecnologia, o que pode agravar o isolamento social.

Outro ponto de alerta é que as inteligências artificiais raramente oferecem contrapontos ou frustrações, o que pode comprometer o desenvolvimento emocional dos jovens. “A vida envolve conflito, negociação e frustração. Com a IA, muitas vezes isso não acontece”, avalia Oliva.

Ponte ou barreira para o cuidado

Apesar dos riscos, especialistas reconhecem que a IA pode funcionar como porta de entrada para o cuidado em saúde mental, ao identificar sinais de sofrimento e incentivar a busca por ajuda profissional. Para isso, defendem debates sobre regulação, além do fortalecimento de redes de apoio presenciais, como grupos comunitários e serviços de saúde acessíveis.

A orientação para famílias e profissionais é observar se o uso da tecnologia está substituindo de forma excessiva o contato humano. Quando isso ocorre, pode ser um sinal de que é hora de buscar apoio especializado.

Sinais de alerta para dependência de IA

Entre os principais indícios de uso problemático estão:

  • ansiedade ao ficar sem acesso à internet ou ao chatbot;
  • abandono de atividades rotineiras, como estudos, trabalho ou exercícios físicos;
  • dificuldade em lidar com frustrações e conflitos do convívio social;
  • alterações no sono;
  • isolamento e tristeza persistente.