Projeto “Memórias Carazinho” resgata histórias e imagens do município nos 95 anos de emancipação
20 de janeiro de 2026
Imagens antigas, relatos afetivos e personagens que ajudaram a construir a identidade de Carazinho ganham vida por meio do projeto Memórias Carazinho, idealizado pelo pesquisador e colecionador Cristiano Naza. A iniciativa tem despertado grande interesse da comunidade ao resgatar fragmentos da história local justamente na semana em que o município completa 95 anos.
O trabalho começou de forma simples, a partir de uma página no Facebook, onde Cristiano passou a compartilhar fotografias de seu acervo pessoal. Com o tempo, moradores começaram a colaborar, disponibilizando imagens, vídeos, fitas VHS, discos de músicos carazinhenses e outros materiais históricos. Parte desse acervo foi obtida também por meio de pesquisas em bibliotecas, no Museu Olívio Otto e em outros espaços históricos da cidade.
“A página acabou virando uma célula-mãe. Dela nasceu o projeto cultural Memórias Carazinho, que se transformou em livro”, explica Cristiano.
O volume 1 do livro foi aprovado como projeto cultural e teve distribuição gratuita em escolas do município, acompanhado de palestras sobre a importância da preservação da memória familiar e comunitária. A recepção foi tão positiva que os exemplares se esgotaram rapidamente, gerando uma lista de espera. Um novo lote deve ser disponibilizado ainda neste mês.
Segundo Cristiano, cada fotografia publicada gera uma verdadeira construção coletiva da história.
“Uma foto sozinha diz muito, mas os comentários das pessoas enriquecem ainda mais. Surgem nomes, histórias, datas, contextos. Assim, vamos montando a historicidade daquele momento.”
Diante do sucesso, o projeto já avança para o volume 2, que trará novos personagens, imagens inéditas e um diferencial: um trabalho audiovisual mostrando como instituições de Carazinho eram no passado e como estão atualmente. A previsão de lançamento do novo livro é entre maio e junho deste ano.
Ao longo das pesquisas, Cristiano destaca aspectos que mais chamaram sua atenção na trajetória do município, como a forte efervescência cultural nos anos 1970, a relevância política nas décadas de 1950 e 1960 e a influência da ferrovia, do comércio e da madeira no desenvolvimento da cidade.
“Carazinho foi uma cidade cosmopolita, que recebeu muita gente de fora. São ciclos históricos que não aprendemos na sala de aula, e o livro vem justamente para preencher essa lacuna”, disse Naza.
O projeto pode ser acompanhado pela página no Facebook “Aventuras, Histórias e Colecionáveis”, onde, além do Memórias Carazinho, são divulgados eventos culturais e transmissões ao vivo. Durante o lançamento do livro, a página chegou a registrar mais de 2,3 milhões de acessos em um único mês.
Cristiano também destaca a troca de gerações proporcionada pelo projeto, especialmente durante a Feira do Livro, que reuniu desde crianças até idosos com mais de 90 anos interessados em compartilhar lembranças e fotografias.
“Todos podem ser historiadores dentro do seu acervo familiar. Basta olhar os álbuns dos pais e avós e preservar esse material para a posteridade”, finaliza.
Ouça a entrevista na integra: