Acordo UE-Mercosul envia “mensagem poderosa” ao mundo, diz Von der Leyen em Davos
20 de janeiro de 2026
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou nesta terça-feira o acordo entre o Mercosul e a União Europeia como um marco da estratégia europeia de fortalecimento do comércio internacional baseado em parcerias, e não na imposição de tarifas. A declaração foi feita durante discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos.
Assinado no último sábado, após 26 anos de negociações, o acordo cria a maior zona de livre comércio do mundo, reunindo 31 países e mais de 700 milhões de consumidores. Para von der Leyen, o tratado envia um forte sinal político em um momento de intensificação das tensões comerciais globais.
“Esse acordo manda uma mensagem muito poderosa para o mundo: comércio justo no lugar das tarifas, parceria no lugar do isolamento e sustentabilidade no lugar da exploração”, afirmou. Segundo ela, o tratado também demonstra o compromisso europeu em reduzir riscos econômicos e diversificar cadeias de suprimento, com impacto que vai além da América Latina.
O acordo UE-Mercosul prevê a redução gradual de tarifas, ampliação do acesso a mercados e compromissos em áreas como sustentabilidade e regras ambientais. A conclusão do tratado é vista por líderes europeus como uma resposta ao avanço do protecionismo e às disputas comerciais entre grandes potências.
Novos acordos em negociação
Durante o discurso, von der Leyen também citou negociações em andamento com outros países, com destaque para a Índia, com quem a União Europeia está próxima de fechar um acordo de livre comércio. Segundo ela, o tratado pode criar um mercado de cerca de 2 bilhões de pessoas, responsável por quase um quarto do PIB global.
“Ainda há trabalho a ser feito, mas estamos à beira de um acordo comercial histórico”, afirmou.
Recado aos Estados Unidos
A defesa de novos acordos comerciais reforça, segundo a presidente da Comissão Europeia, a estratégia do bloco de ampliar sua presença econômica global por meio do diálogo, da cooperação e de regras multilaterais, em contraposição a políticas de pressão comercial.
A declaração é interpretada como um recado ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem elevado o tom contra a União Europeia. O republicano anunciou a intenção de aplicar tarifas de 10% a países europeus a partir de 1º de fevereiro de 2026, caso se posicionem contra o plano dos EUA de adquirir a Groenlândia.
Trump afirma que a ilha é estratégica para a segurança americana, tanto pela localização quanto pelas reservas minerais, e não descartou o uso da força, o que aumentou o alerta entre os aliados europeus.
Fonte: Correio do Povo