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Reprodução das abelhas intensifica aparecimento de enxames e exige atenção

Região

19 de janeiro de 2026

Reprodução das abelhas intensifica aparecimento de enxames e exige atenção
Período de reprodução e abundância de floradas explicam aumento de ocorrências; especialista alerta para cuidados básicos e riscos de ações inadequadas.
Foto: Apiário Santo Antônio

O Rio Grande do Sul registra, neste início de 2026, um aumento expressivo de ocorrências envolvendo abelhas e marimbondos. De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar do Estado, a média ultrapassa 50 atendimentos diários relacionados a esses insetos nas primeiras semanas do ano, com registros de ferimentos graves e até morte.

Diante desse cenário, o Grupo Ceres de Comunicação esteve na localidade de São José do Centro, em Não-Me-Toque, para conversar com o apicultor Neuri Sprandel, proprietário do apiário Beira Glória, que explicou por que este é um período crítico para o surgimento de enxames e como a população deve proceder ao se deparar com a situação.

Segundo Sprandel, o aumento de enxames está diretamente ligado ao ciclo natural das abelhas. “Esse é um momento em que há a reprodução das abelhas. Por isso, esses enxames voadores estão procurando locais onde vão se instalar para se proteger no inverno”, explica. Ele destaca que a abundância de floradas favorece a construção dos favos e a coleta de néctar, o que resulta no aumento da população das colmeias.

O apicultor reforça que, apesar do receio comum, os enxames em deslocamento não são agressivos. “Se ninguém mexe, o enxame pode ficar instalado por até 24 horas e não vai atacar. Ele está descansando e procurando um local definitivo”, afirma. O risco, segundo ele, surge quando há interferência humana. “Uma ação errada pode se transformar em acidente. Uma pessoa alérgica, por exemplo, pode até ir a óbito”, alerta.

Entre as principais orientações, Sprandel é enfático: não se aproximar e não tentar espantar o enxame. “Evitar qualquer movimento estranho, bateção ou tentativa de mexer. Isso pode provocar um ataque”, destaca. Ele também alerta para um erro comum. “Nunca usar fumaça nesses casos. A fumaça espanta o enxame e aumenta o risco”, afirma.

Caso seja necessário algum procedimento técnico, o apicultor explica que o método adequado é a utilização de água. “Molhar o enxame com cuidado. A abelha com a asa molhada não voa, e com o frio da água ela se agrupa e fica tranquila”, explica, ressaltando que esse tipo de ação deve ser feito apenas por quem tem conhecimento. Para quem não sabe como agir, a recomendação é simples: “Deixa ele lá. No máximo em 24 horas ele segue viagem”.

Quanto à remoção, Sprandel afirma que pode auxiliar em situações específicas. “Se for um local de fácil acesso, como esses enxames em forma de bolo, a gente pode ir retirar para evitar acidentes”, comenta. No entanto, ele ressalta limitações. “Quando envolve abrir parede ou locais de difícil acesso, já não consigo mais fazer”, explica.

O apicultor lembra ainda que enxames instalados por muitos dias tendem a se tornar mais defensivos. “Eles não ficam agressivos, ficam defensivos, porque estão defendendo a casa deles. É igual a gente com a nossa residência”, conclui.

A orientação é clara: ao identificar um enxame de abelhas, mantenha distância, evite qualquer intervenção e, se necessário, procure ajuda especializada para evitar riscos à saúde e à segurança.