Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2026

Segunda-feira
19 Janeiro 2026

Tempo agora

Tempo nublado 21
Tempo nublado 21°C | 14°C
Tempo limpo
Ter 20/01 24°C | 9°C
Chuvas esparsas
Qua 21/01 26°C | 13°C

Estudantes gaúchos criam dispositivo com IA para detectar câncer de pele

Educação, Saúde

19 de janeiro de 2026

Estudantes gaúchos criam dispositivo com IA para detectar câncer de pele
Foto: Foto: Colégio João Paulo I

Dois estudantes de 17 anos, de Porto Alegre, desenvolveram um dispositivo portátil que utiliza inteligência artificial para auxiliar na detecção do câncer de pele. Batizado de SkinScan, o equipamento analisa lesões em poucos segundos e atingiu 77% de precisão nos testes realizados até o momento.

O projeto foi criado pelos estudantes do ensino médio Fernanda Gib e Arthur Duval, a partir da união de interesses diferentes: enquanto Fernanda pesquisava sobre câncer de pele, Arthur já tinha conhecimentos na área de robótica. O dispositivo, com cerca de 500 gramas, foi produzido em impressora 3D e conta com lente, bateria, placa computacional e tela sensível ao toque.

A iniciativa surgiu no Colégio João Paulo I (JPSul), na capital gaúcha, e rendeu à dupla um prêmio na Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec), considerada a maior feira científica da América Latina.

Para o funcionamento do sistema, a inteligência artificial foi treinada com mais de 10 mil imagens de lesões benignas e malignas, obtidas em bases de dados públicas. Durante a análise, o aparelho captura 12 imagens sequenciais da lesão e, em aproximadamente dois segundos, indica se o padrão é considerado suspeito.

Por enquanto, o SkinScan realiza apenas a leitura de imagens e ainda não possui autorização para testes diretos em pessoas. Segundo os desenvolvedores e orientadores, o objetivo não é substituir o diagnóstico médico, mas auxiliar na triagem inicial.

“O dispositivo não vai substituir o médico, mas pode funcionar como uma forma de triagem”, explica o professor Giovane Irribarem de Mello, coordenador do Laboratório de Robótica do JPSul, que orientou o projeto ao lado da professora Maria Eduarda Dias. Segundo ele, a tecnologia pode ser especialmente útil em locais onde há falta de especialistas.

Dados do Ministério da Saúde apontam que o câncer de pele é o tipo mais comum no Brasil, mas as chances de cura ultrapassam 90% quando o diagnóstico ocorre de forma precoce. O Rio Grande do Sul está entre os estados com maior incidência da doença.

A equipe já mantém diálogo com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre para futuras parcerias e pretende avançar para a fase de testes clínicos. “Agora queremos entrar na fase de testes reais em pessoas e, no futuro, levar o dispositivo para clínicas”, afirma Arthur Duval. Fernanda Gib destaca que o projeto teve impacto direto em sua formação, trazendo aprendizados sobre persistência e resiliência.

Como funciona o SkinScan

O usuário posiciona o aparelho sobre a lesão
A lente captura uma sequência de 12 imagens
O sistema processa os dados em cerca de dois segundos
A inteligência artificial compara os padrões com o banco de dados
A tela indica se a lesão é suspeita ou não

O equipamento é portátil e funciona com bateria recarregável.

Fonte: G1