Estudantes gaúchos criam dispositivo com IA para detectar câncer de pele
19 de janeiro de 2026
Dois estudantes de 17 anos, de Porto Alegre, desenvolveram um dispositivo portátil que utiliza inteligência artificial para auxiliar na detecção do câncer de pele. Batizado de SkinScan, o equipamento analisa lesões em poucos segundos e atingiu 77% de precisão nos testes realizados até o momento.
O projeto foi criado pelos estudantes do ensino médio Fernanda Gib e Arthur Duval, a partir da união de interesses diferentes: enquanto Fernanda pesquisava sobre câncer de pele, Arthur já tinha conhecimentos na área de robótica. O dispositivo, com cerca de 500 gramas, foi produzido em impressora 3D e conta com lente, bateria, placa computacional e tela sensível ao toque.
A iniciativa surgiu no Colégio João Paulo I (JPSul), na capital gaúcha, e rendeu à dupla um prêmio na Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec), considerada a maior feira científica da América Latina.
Para o funcionamento do sistema, a inteligência artificial foi treinada com mais de 10 mil imagens de lesões benignas e malignas, obtidas em bases de dados públicas. Durante a análise, o aparelho captura 12 imagens sequenciais da lesão e, em aproximadamente dois segundos, indica se o padrão é considerado suspeito.
Por enquanto, o SkinScan realiza apenas a leitura de imagens e ainda não possui autorização para testes diretos em pessoas. Segundo os desenvolvedores e orientadores, o objetivo não é substituir o diagnóstico médico, mas auxiliar na triagem inicial.
“O dispositivo não vai substituir o médico, mas pode funcionar como uma forma de triagem”, explica o professor Giovane Irribarem de Mello, coordenador do Laboratório de Robótica do JPSul, que orientou o projeto ao lado da professora Maria Eduarda Dias. Segundo ele, a tecnologia pode ser especialmente útil em locais onde há falta de especialistas.
Dados do Ministério da Saúde apontam que o câncer de pele é o tipo mais comum no Brasil, mas as chances de cura ultrapassam 90% quando o diagnóstico ocorre de forma precoce. O Rio Grande do Sul está entre os estados com maior incidência da doença.
A equipe já mantém diálogo com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre para futuras parcerias e pretende avançar para a fase de testes clínicos. “Agora queremos entrar na fase de testes reais em pessoas e, no futuro, levar o dispositivo para clínicas”, afirma Arthur Duval. Fernanda Gib destaca que o projeto teve impacto direto em sua formação, trazendo aprendizados sobre persistência e resiliência.
Como funciona o SkinScan
O usuário posiciona o aparelho sobre a lesão
A lente captura uma sequência de 12 imagens
O sistema processa os dados em cerca de dois segundos
A inteligência artificial compara os padrões com o banco de dados
A tela indica se a lesão é suspeita ou não
O equipamento é portátil e funciona com bateria recarregável.
Fonte: G1