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Processos por racismo batem recorde em 2025 no Brasil

Brasil

12 de janeiro de 2026

Processos por racismo batem recorde em 2025 no Brasil
Ao todo, há 13,6 mil ações pendentes de julgamento.
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O Brasil registrou 8,6 mil novos processos criminais sobre racismo em 2025, o recorde da série histórica iniciada em 2020. Desde o começo do levantamento, esses processos aumentaram 188%. Ao todo, há 13,6 mil ações pendentes de julgamento. Os números foram levantados pelo jornal O Estado de S. Paulo em dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Cerca de 97% desses processos criminais tramitam nas Justiças estaduais. A lista é liderada pela Bahia, Estado com a maior proporção de população negra do País. Minas Gerais, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Paraná vêm em seguida. São Paulo é o oitavo Estado com mais ações, com 663.

Estados com mais processos novos por racismo em 2025:

* Bahia – 3.680;
* Minas Gerais – 1.383;
* Santa Catarina – 994;
* Rio de Janeiro – 984;
* Paraná – 827.

Desde o começo da série histórica do CNJ, em 2020, outubro de 2025 foi o mês com mais processos novos sobre racismo. Foram 803 casos, o que equivale a uma média de uma ação protocolada por hora no País. Os números registrados a cada ano vêm aumentando sucessivamente.

Novas ações criminais por racismo no País:

* 2025 – 8.591;
* 2024 – 8.184;
* 2023 – 7.973;
* 2022 – 5.764;
* 2021 – 5.610;
* 2020 – 2.978.

Ainda de acordo com estatísticas do CNJ, há apenas 2.714 negros entre os 18.998 magistrados brasileiros, o que corresponde a 14,3%. O porcentual é um pouco maior entre servidores: são 27,8% de servidores negros, ou 78.761 entre 283.639. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que 55,5% da população se identifica como negra, soma de pretos e pardos.

Espaços de consumo e de trabalho são os locais onde o racismo é mais evidente em pelo menos dez capitais do País. A pesquisa “Viver nas Cidades: Relações Raciais”, divulgada em novembro de 2025 pelo Instituto Cidades Sustentáveis, em parceria com a Ipsos-Ipec, aponta que os moradores dessas grandes cidades percebem a discriminação de maneira mais clara em shoppings e outros estabelecimentos comerciais, ambientes seguidos pelo trabalho, por ruas e espaços públicos de convivência.

O levantamento obteve respostas de 3.500 pessoas, via painel online, em Belém, Belo Horizonte, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, para verificar a percepção dos moradores sobre a discriminação racial em suas cidades e medidas para combatê-la.

Os pesquisadores perguntaram aos internautas que três lugares, pensando no acesso e no atendimento dos diversos serviços, acreditavam haver mais diferença no tratamento de pessoas negras e pessoas brancas. Do total, 57% citaram os estabelecimentos comerciais entre as três opções, como shoppings, lojas, cinemas, restaurantes, bares, mercados e farmácias.

Embora não haja diferenças significativas de uma capital para as demais, Salvador (65%) e Belém (62%) registraram o maior patamar de menção à discriminação racial nesses espaços, e o menor foi em Manaus (50%).

Segundo a pesquisa, 10% da população das dez cidades afirmou não existir diferença no tratamento entre negros e brancos. Outros 12% não souberam responder.

Depois dos estabelecimentos comerciais, os lugares mais citados foram o trabalho (44%), incluindo processos de seleção, dia a dia e promoção profissional; e as ruas e os espaços públicos de convivência (31%), como parques e praças. Na sequência, vêm as escolas, faculdades e universidades (29%), o transporte público (16%) e os hospitais e postos de saúde (15%).

Fonte: Redação O Sul