Clima colabora para o bom andamento da safra de verão
12 de janeiro de 2026
As principais culturas de verão das lavouras gaúchas estão com as semeaduras concluídas ou em vias de finalização e o clima tem colaborado para a arrancada e desenvolvimento dos cultivos. O mais recente boletim Informativo Conjuntural, elaborado pela Emater/RS-Ascar, da semana passada, apresenta uma descrição positiva para a evolução dos dois principais grãos de sequeiro da safra de verão, soja e milho, assim como para o arroz irrigado. E a previsão é que as precipitações sigam atendendo às necessidades das plantações nas próximas semanas.
Loana Cardoso, pesquisadora da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) e coordenadora do Conselho Permanente de Agrometeorologia Aplicada do Rio Grande do Sul (Coopaergs), explica que a mais recente atualização da NOAA, a agência do governo americano responsável pela previsão do tempo e clima, no último dia 8, mostra uma probabilidade do fenômeno La Niña de 56% durante o período de dezembro, janeiro e fevereiro, com redução de chuvas, mas com uma tendência para a evolução para mais neutra, de normalidade.
“O que temos observado é que, já desde meados de dezembro e, agora, no início de janeiro, a ocorrência de chuvas mais frequentes e com volumes bastante significativos em muitas regiões, num comportamento menos típico de La Niña e mais típico de influência de condições nem tanto neutras, mas de uma situação até um pouquinho de chuvas bastante volumosas”, descreve Loana.
Segundo Loana, nas lavouras, de novembro até, praticamente, a primeira quinzena de dezembro, ocorreram alguns sintomas de deficiência hídrica em algumas regiões, sobretudo em solos mais rasos, o que prejudicou principalmente o milho não-irrigado.
“Então, e a partir da metade de dezembro teve esse retorno das chuvas e uma probabilidade, um prognóstico, de que a gente deva ter uma continuidade nessa situação de chuvas frequentes, com intensidades variáveis, mas, com uma frequência relativamente alta”, explica. “Temos um prognóstico, uma perspectiva, de uma safra seguindo muito boa”, projeta. Conforme ela, as lavouras de soja, com o plantio praticamente concluído, se mostram em bom desenvolvimento e uma expectativa positiva para a produtividade.
Milho com perdas
Já em algumas regiões o milho sofreu perdas em razão de uma pequena estiagem numa fase crítica para o desenvolvimento. “Nas lavouras de milho algumas áreas que pegaram (estiagem) esse período de finalzinho de novembro até meados de dezembro, no período de floração, início de enchimento de grão, vão apresentar alguma redução de rendimento”, estima.
“E as áreas entrando nesse período mais crítico agora, nos últimos 15 e 20 dias, já estão pegando um uma situação mais propícia para uma melhor produção, um melhor desenvolvimento. Então, com a reposição da umidade da água disponível, da umidade do solo, melhorando e aumentando o potencial produtivo”, avalia.
A especialista destaca que, de uma maneira geral, o prognóstico é de que está ocorrendo uma condição que nem se confirma como La Niña, e provavelmente nem vai se confirmar climaticamente como La Niña, mas sim um ano novamente neutro, como o verão passado, mas que deve ser, diferente do ano passado, com uma tendência de ter um pouco mais de chuvas em janeiro, fevereiro.
“Algumas áreas têm essa variabilidade muito característica do clima, da condição do Rio Grande do Sul de precipitações irregulares. Então, tem áreas aonde vai ter mais volumes e áreas onde vai ter menos volumes, mas de uma chuva mais regular em ocorrência, não de volume, e que deve aí manter uma expectativa de safra boa para o Estado”, estima.
SOJA
A semeadura está em estágio avançado no Estado, alcançando 96% da área prevista, aponta a Emater/ES-Ascar. A maior parte das lavouras se encontra em desenvolvimento vegetativo (87%), enquanto a floração avançou para 13% da área cultivada, especialmente nas áreas semeadas mais precocemente. As precipitações frequentes e volumosas, associadas à ocorrência de dias ensolarados, foram, em geral, benéficas ao desenvolvimento da cultura e garantiram umidade do solo e incidência de radiação solar ideais, além de crescimento vigoroso das plantas.
MILHO
As condições climáticas das últimas semanas foram benéficas para a cultura em função do bom volume de chuvas e das temperaturas adequadas, destaca a Emater/ES-Ascar. Houve recuperação parcial da produtividade em áreas atingidas pela estiagem do final de novembro e dezembro, e as lavouras irrigadas demonstram excelente desenvolvimento, com expectativas de alta produtividade. As áreas plantadas mais tardiamente, que não estavam em estágio crítico durante o período de tempo seco, também se desenvolvem bem. A área semeada no Estado chega a 93%, e a maior parte se encontra em enchimento de grãos, e 2% da área até já foi colhida.
ARROZ
A cultura continua em desenvolvimento vegetativo, enquanto em algumas áreas, avança para a fase reprodutiva, já iniciando florescimento, quando são realizadas aplicações de adubação para atender à demanda nutricional, descreve a Emater/RS-Ascar. As precipitações foram importantes para os cultivos. No entanto, em algumas regiões, causaram danos e foi necessária a reconstrução de estruturas, como na Região Central. A queda das temperaturas no final do período traz apreensão aos produtores, principalmente em relação aos cultivos em estágio reprodutivo. A área a ser cultivada está estimada em 920.081 hectares, segundo o Irga, e produtividade prevista inicialmente, em 8.752 kg/ha, segundo a Emater/RS-Ascar.
Fonte: Correio do Povo.