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Navio contratado para COP-30 em Belém barra hóspedes de 20 países por restrições dos EUA

Meio Ambiente

31 de agosto de 2025

Navio contratado para COP-30 em Belém barra hóspedes de 20 países por restrições dos EUA
Companhia sediada nos EUA não pode vender passagens a cidadãos de lugares sem relação com a Casa Branca
Foto: Divulgação

Um dos navios de cruzeiro contratados pelo governo federal para tentar amenizar a crise de hospedagem em Belém durante a Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-30), o Costa Diadema, não receberá cidadãos de pelo menos 20 países membros da ONU.

A restrição decorre de normas da legislação dos Estados Unidos, já que a empresa Costa Cruzeiros integra o grupo americano Carnival Corporation. A medida impede a venda de passagens a cidadãos de países que não mantêm relações diplomáticas com Washington.

Entre as nações atingidas estão Cuba, Venezuela, Haiti, Irã, Coreia do Norte, Afeganistão, Mianmar, Iêmen, Líbia, Sudão, Burundi, Somália, Serra Leoa, Togo, Turcomenistão, Laos, República Democrática do Congo, Guiné Equatorial, Chade e Eritreia.

O Comitê Nacional da COP-30 confirmou a situação e esclareceu, em nota, que a decisão “não decorre da empresa contratada, do governo brasileiro, da Embratur ou do próprio comitê, mas de exigências internacionais”. O órgão afirmou ainda que o planejamento do evento já contempla alternativas de hospedagem para as delegações afetadas, como o navio da MSC Cruzeiros, que dispõe de cerca de 2 mil cabines e não possui esse tipo de restrição, além da rede hoteleira e de imóveis cadastrados na plataforma oficial de hospedagem.

A questão, no entanto, já provocou reações políticas. O senador Beto Faro (PT-BA) classificou o episódio como um dilema sobre a soberania nacional. “Desde quando uma corporação estrangeira pode ditar quem entra e quem não entra num navio que servirá de hotel em plena Amazônia, em pleno Brasil?”, questionou o parlamentar em nota.

A previsão é de que Belém receba cerca de 50 mil visitantes durante a COP-30. Os altos preços cobrados pelos hotéis e imóveis disponíveis na cidade fizeram com que várias delegações informassem não ter condições de arcar com os custos. A contratação dos dois navios buscou oferecer uma alternativa de hospedagem mais acessível, com diárias de até 220 dólares, cerca de 1,2 mil reais, especialmente para os 98 países menos desenvolvidos e ilhas de pequeno porte.